sociedade

Caixa entra no combate à agressão às mulheres

Instituição lança o programa Juntos por Elas, que tornará agências e unidades culturais em pontos de orientação e acolhimento

 Nadja Oliveira e Carlos Vieira assinam o acordo de cooperação técnica, que inclui três ministérios -  (crédito:  Reprodução/Instagram/Antes que Aconteça)
Nadja Oliveira e Carlos Vieira assinam o acordo de cooperação técnica, que inclui três ministérios - (crédito: Reprodução/Instagram/Antes que Aconteça)

A Caixa Econômica Federal lançou, ontem, o programa Juntos Por Elas — Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A proposta é atuar em espaços de grande circulação, como agências bancárias e unidades culturais da Caixa, transformando-as em pontos de orientação e acolhimento. Entre as medidas previstas, estão a ampliação do acesso à informação, campanhas de conscientização e encaminhamento de vítimas para serviços especializados, como atendimento psicossocial e assistência jurídica.

Numa primeira etapa, o programa será implantado por todas as unidades da Caixa Cultural e, inicialmente, nas agências de Sobradinho (DF), Cuiabá (MT) e Sinop (MT). As unidades contarão com funcionários e prestadores de serviços voluntários, que acolherão e esclarecerão mulheres em situação de violência. Também está previsto o funcionamento de canais internos de apoio, voltados para funcionárias da instituição ou qualquer empregado que precise de orientação.

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presidente da Caixa, Carlos Vieira, formalizou acordos de cooperação técnica com os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Igualdade Racial e das Mulheres, além de um protocolo de intenções com o Instituto Antes que Aconteça. Ele chamou atenção para a mudança de comportamento dentro das instituições.

"É muito fácil pra gente fazer um evento desse. É muito fácil o presidente da instituição chegar, promover com todos os recursos, toda a abrangência, toda a capacidade, todo o tamanho, tudo que representa a Caixa, um evento desse. Mas sabe o que que é difícil? É convencer o colega que está agora dentro de uma agência da Caixa praticando atos que não sejam louváveis", afirmou.

Para Vieira, o enfrentamento da violência de gênero passa por uma mudança de postura. "Essa coragem que a gente precisa ter é a coragem de todos nós sairmos aqui e refletirmos sobre o que está acontecendo", disse.

 "Ninguém é mais o mesmo depois de passar por uma situação de violência. Mas temos o dever de transformar essa realidade", frisou a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, acrescentando que o combate à brutalidade de gênero exige mais do que indignação — requer ação concreta e compromisso coletivo.

A ministra observou que o momento vivido pelo país impõe uma escolha clara entre a inércia e a transformação. "O que nós fazemos com essa realidade tão cruel? Vamos continuar apenas assistindo ou vamos agir para modificá-la?", questionou.

Rachel também enfatizou o papel do governo federal no enfrentamento da violência contra as mulheres, citando o Pacto Nacional contra o Feminicídio. "Combater o feminicídio exige garantir segurança, justiça, saúde, assistência, renda e emprego. Não é algo simples. É uma reconstrução de vidas", afirmou.

 A coordenadora técnica do programa Antes que Aconteça, Nadja Oliveira, destacou que a violência doméstica é um fenômeno histórico, enraizado em uma cultura marcada pelo "machismo e pelo patriarcado". "Os países que conseguiram reduzir esses índices investiram em educação, capacitação e autonomia financeira das mulheres", advertiu.

Dados apresentados por Nadja mostram que, no Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada quatro horas, considerando apenas os casos oficialmente registrados. Diariamente, cerca de 900 mulheres buscam atendimento em unidades de saúde devido a agressões físicas decorrentes de violência doméstica. Há ainda um número significativo de vítimas afastadas do mercado de trabalho por problemas de saúde mental associados às agressões.

Para Nadja, a independência econômica é um dos fatores decisivos para romper o ciclo da violência. "Não há como quebrar esse ciclo sem garantir condições de trabalho seguras e renda. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por falta de alternativas", observou. Ela lembrou que aproximadamente 40 milhões de lares brasileiros são sustentados por mulheres, muitas delas chefes de família solo.

 

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postado em 06/05/2026 03:55
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