Ex-presidente

Relatório conclui que JK foi assassinado pela ditadura

Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos analisa documento que rechaça a hipótese de acidente na Via Dutra, em 1976

Juscelino Kubistchek governou o Brasil entre 1956 e 1961, período que, sob o lema
Juscelino Kubistchek governou o Brasil entre 1956 e 1961, período que, sob o lema "50 anos em 5", ficou marcado por grandes obras, como a construção de Brasília - (crédito: Arquivo Nacional/Fundo Agência Nacional)

A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) está analisando um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto, em 22 de agosto de 1976, por ação do Regime Militar. Para a historiadora Maria Cecília Adão, que elaborou o parecer do caso, o carro em que Juscelino viajava pela Via Dutra (BR-116), entre o Rio de Janeiro e São Paulo, não sofreu um acidente. A relatora conclui que houve uma ação externa que provocou a saída do veículo da pista e a posterior colisão com uma carreta que trafegava no sentido contrário, e que ela aponta como de responsabilidade do regime à época.

O relatório, que tem mais de 5 mil páginas, ao qual o jornal Folha de S.Paulo teve acesso, contesta a versão oficial do governo militar de que o Opala dirigido pelo motorista e amigo de JK Geraldo Ribeiro tenha sido atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem, o que fez o carro sair da pista, invadir a contramão e colidir com uma carreta, matando os dois ocupantes. Para a relatora, não há indícios dessa primeira colisão que amparem a versão da ditadura.

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Ainda de acordo com o jornal, várias investigações posteriores apontaram as inconsistências da versão original, especialmente um inquérito civil público conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019. A investigação atesta que o carro de JK não bateu no ônibus antes de cruzar as pistas até colidir com uma carreta, mas conclui que é “impossível afirmar ou descartar a hipótese de atentado”, segundo transcrição do jornal.

A relatora também levou em conta os resultados dos processos abertos nas comissões estaduais da Verdade de São Paulo e de Minas Gerais, que concluíram que houve um atentado político contra o ex-presidente, por sabotagem no carro ou por tiros.

O relatório de Maria Cecília Adão está sob análise dos demais conselheiros do CEMDP e deve ser apreciado no próximo encontro do grupo, sem data marcada. O órgão foi criado em 1995, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, para reconhecer mortos e desaparecidos em decorrência da repressão política, identificar corpos e subsidiar ações de parentes das vítimas contra o Estado.

Juscelino Kubistchek governou o Brasil entre 1956 e 1961, período que, sob o lema “50 anos em 5”, ficou marcado por grandes obras, como a construção de Brasília, inaugurada em abril de 1960. Em 1961, foi eleito senador, mas teve o mandato cassado após o golpe militar de 1964. A morte dele, na Via Dutra, nunca foi esclarecida.

 

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postado em 08/05/2026 10:49 / atualizado em 08/05/2026 11:45
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