Judiciário

Dino cita misoginia e red pill em julgamento sobre igualdade salarial

Ministro do STF afirmou que debate sobre equidade entre homens e mulheres passa pelo enfrentamento a preconceitos estruturais e à violência de gênero

"O desafio se expressa na existência, na proliferação de discursos misóginos" disse Dino durante o julgamento - (crédito: Victor Piemonte/STF)

O ministro  do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou, nesta quinta-feira (14/5), que a discussão sobre equidade no mercado de trabalho está diretamente ligada ao enfrentamento a preconceitos históricos e à violência de gênero.

Segundo ele, o Supremo possui uma jurisprudência consolidada em temas ligados aos direitos das mulheres. O ministro citou decisões anteriores da Corte, como a ampliação da interpretação sobre licença-maternidade e o afastamento da tese da “legítima defesa da honra” em casos de feminicídio.

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Para o ministro, a pauta em julgamento representa mais um passo na concretização de direitos previstos pela Constituição. “Temos, obviamente, desafios gigantescos. Daí a importância desta pauta. O desafio se expressa na pandemia de estupros e feminicídios”, afirmou o magistrado ao defender a relevância do tema analisado pelo STF.

O ministro chamou atenção para o avanço de discursos misóginos, apontando que eles não se restringem ao ambiente digital, como no caso recente do ator Juliano Cazarré, que organizou um evento para defender o papel dos homens na sociedade, gerando polêmica.

“O desafio se expressa na existência, na proliferação de discursos misóginos, que estão não só na internet, mas também em cursos ensinando homens a serem homens”, disse.

Movimento red pill

Dino também mencionou o chamado movimento “red pill”, expressão associada a grupos masculinos que propagam ideias de oposição ao feminismo e às mudanças nas relações de gênero.

“Por conta da obra cinematográfica Matrix, convencionou-se chamar de movimento ‘red pill’. Seria a pílula da verdade a mostrar que os homens estariam sendo escravizados pelas mulheres”, afirmou.

Ao concluir, o ministro associou a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho à autonomia feminina.

“Igualdade de chances, igualdade de oportunidades. Isto é indissociavelmente ligado ao que se passa no mundo do trabalho, porque é aí que as mulheres podem obter as condições materiais para serem autênticas e, preferentemente, livres”, concluiu.

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postado em 14/05/2026 16:18
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