
A revelação das conversas em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, aumentou a pressão pela instalação de uma comissão parlamentar mista da inquérito (CPMI) para investigar as fraudes envolvendo o banco. Porém, na sessão conjunta do Congresso, nessa quinta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recusou-se a fazer a leitura do requerimento para instaurar o colegiado — alegou outras prioridades. Já Flávio usou a tribuna para, no discurso, defender a criação da comissão e tentar empurrar o escândalo para o governo Luiz Inácio Lula da Silva e para o Supremo Tribunal Federal (STF).
"Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI falando qual é a relação que eles tinham com o Flávio Bolsonaro, e também qual é a relação que eles tinham com o Lula, qual é a relação que eles tinham com o Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer. Eu não tenho nada a esconder", enfatizou Flávio, cercado por parlamentares aliados. Lima é ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
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Nas conversas que teve com Vorcaro, reveladas pelo Intercept Brasil, Flávio cobra R$ 134 milhões para, supostamente, custear o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nessa quinta-feira, o senador voltou a alegar que o projeto recebeu investimento privado "sem qualquer irregularidade".
O senador aproveitou o tempo para criticar a ausência de assinaturas da esquerda no pedido de CPMI do Master voltou a associar o PT a escândalos como o Mensalão e a Lava-Jato.
Governistas também foram ao ataque. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) usou a tribuna para cobrar explicações públicas de Flávio sobre a relação do senador com Vorcaro. O petista citou uma gravação na qual o filho do ex-presidente trata o banqueiro de "irmãozão" e mencionou o fato de Flávio ter negado proximidade com o empresário.
"O senador Flávio Bolsonaro, para subir à tribuna, deveria, por respeito ao Brasil, ter respondido a esses questionamentos que são questionamentos da sociedade", destacou Lindbergh.
O deputado ainda questionou movimentações financeiras relacionadas ao chamado fundo Raven Gate, atribuído por ele ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. E perguntou sobre supostos recursos enviados ao território americano e usados em projetos do clã. Também levantou suspeitas sobre um encontro entre Flávio e Vorcaro após a saída do empresário da prisão, sugerindo uma possível relação com a pré-candidatura presidencial do senador.
Em réplica, Flávio sustentou ter dado "todos os esclarecimentos" sobre o caso e devolveu as acusações ao governo federal. O senador disse que, agora, quem deveria prestar explicações seria Lula, citando uma reunião no Planalto em que o chefe do Executivo recebeu o dono do Master.
"Quem tem que dar a explicação agora é o seu chefe. O que ele estava fazendo naquela reunião secreta lá?", revidou Flávio. Ele também associou as origens do banco a governos petistas na Bahia, citando os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa.
Pressionado pela instalação da CPMI, Alcolumbre afirmou que a sessão conjunta foi convocada para analisar os vetos de Lula a trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que beneficiavam municípios inadimplentes.
"Peço desculpa a Vossas Excelências por não atender a demanda solicitada por mais 11 congressistas nessa sessão em relação a outro tema que não estava previamente estabelecido na pauta de deliberação", declarou Alcolumbre.
Urgente
O líder da oposição no Congresso, Izalci Lucas (PL-DF), afirmou ao Correio que a cobrança pela comissão vai continuar. "Compete ao presidente fazer a leitura. A expectativa é que ele realmente faça a leitura e instale, até para colocar essa situação bem clara para todo mundo", frisou.
Já o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), classificou como "urgente" a abertura de uma CPI e criticou a proposta articulada pelo PL, chamando-a de "teatro". Segundo ele, o PT optou por não apoiar o requerimento da oposição por discordâncias sobre a condução da investigação, mas deu aval a outros, incluindo os da deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) e do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Na mesma linha, a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) pediu ao presidente do Congresso o avanço do requerimento de CPI. A parlamentar afirmou que o pedido apresentado por ela e por Fernanda Melchionna teria conseguido apoio de parlamentares de diferentes espectros.
Para o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), a investigação deve alcançar tanto possíveis ligações do Master com integrantes do governo quanto suspeitas envolvendo o clã Bolsonaro e aliados.
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