investigação

Master: advogado deixa defesa, e delação de Vorcaro fica mais distante

Na mesma semana em que a Polícia Federal recusa a proposta de colaboração premiada do empresário, José Luís Oliveira Lima sai do caso. Dono do banco estaria disposto a pagar um valor maior de multa pelas fraudes

O banqueiro Daniel Vorcaro voltou ontem para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, por decisão do STF  -  (crédito: Arquivo pessoal)
O banqueiro Daniel Vorcaro voltou ontem para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, por decisão do STF - (crédito: Arquivo pessoal)

Em mais uma reviravolta no escândalo do Master, o advogado José Luís Oliveira Lima deixou, nessa sexta-feira, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do banco que causou prejuízos bilionários a correntistas e instituições públicas. A desistência do defensor ocorreu após a Polícia Federal rejeitar a proposta de delação premiada feita pelo empresário.

Lima é especialista em acordo de colaboração com as autoridades, e a saída dele sinaliza que as tratativas recuaram. Apesar de a PF já ter recusado a proposta, resta ainda um posicionamento da Procuradoria-Geral da República, que também analisa o conteúdo da colaboração oferecida por Vorcaro.

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Procurado pelo Correio, Lima não respondeu os questionamentos. A saída teria sido de "comum acordo". O advogado construiu trajetória em casos de grande repercussão nacional, incluindo acordos firmados durante a Operação Lava-Jato. Entre os episódios de maior destaque está a atuação na defesa do empreiteiro Léo Pinheiro. Fontes que acompanham as negociações afirmam que a estratégia da defesa buscava ampliar o diálogo com a PGR para tentar viabilizar um acordo.

Vorcaro passou a considerar ampliar o escopo da colaboração após semanas de prisão. Em um primeiro momento, o banqueiro buscou preservar aliados e restringir informações apresentadas às autoridades, mas o cenário teria mudado diante do desgaste provocado pela permanência sob custódia.

Fontes relataram que o dono do Master passou a demonstrar maior disposição para negociar termos mais amplos com investigadores e procuradores. Uma das possibilidades oferecidas é o aumento do valor da multa que ele deve pagar diante dos prejuízos causados.

Troca de sala

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nessa sexta-feira o retorno de Vorcaro para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Na decisão, o magistrado negou o pedido da defesa para substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, mas acolheu parcialmente o pedido relacionado às condições do local de custódia.

Vorcaro estava detido na sala de estado-maior, enquanto negociava a delação premiada com a Justiça. No entanto, na última segunda-feira, após ter sua proposta de delação premiada rejeitada pelos investigadores, Mendonça autorizou a transferência dele para uma cela comum. A defesa entrou com um pedido na Corte, sustentando que o novo espaço não tinha condições adequadas de permanência.

Segundo os advogados, a cela é destinada a detenções transitórias e não teria fornecimento regular de água, ventilação e iluminação, além de representar risco à segurança do custodiado devido à repercussão do caso. A defesa descreveu o local como "desprovido de chuveiro e janelas, com iluminação artificial precária e paredes mofadas em razão da ausência de circulação de ar".

Quanto ao pedido de prisão domiciliar, a PGR manifestou-se contra. O órgão argumentou que a entrega de anexos de uma eventual colaboração premiada "não justifica, por si só, a conversão da prisão preventiva em regime domiciliar", diante da permanência de riscos à investigação, como eventual contato com integrantes da organização criminosa, destruição de provas ou intimidação de testemunhas.

"Para tanto, considera, ainda, os riscos inerentes à transferência para cela comum, advindos da exposição midiática do caso e de possível utilização do sistema prisional pelo requerente para obtenção e circulação de orientações a demais membros da organização criminosa", diz um dos trechos do parecer.

A PGR concordou com o retorno do investigado ao alojamento anterior ou com sua transferência ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha". No parecer, o Ministério Público apontou que a cela comum utilizada atualmente seria mais adequada a presos transitórios e ressaltou a necessidade de assegurar "condições mínimas e adequadas de segurança, custódia e suporte, em conformidade com normas nacionais e internacionais de proteção à pessoa presa".

*Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa

 

 

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postado em 23/05/2026 03:55
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