Um dos alvos de operação da Polícia Federal que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, enfatizou que "nunca recebeu nenhum valor ilícito ou cometeu qualquer irregularidade" e alegou perseguição política. Segundo ele, as acusações não passam de um "roteiro absurdo de ficção".
As declarações ocorreram em vídeo postado nas redes sociais. Nogueira afirmou tem sofrido ataques em decorrência do ano eleitoral e citou a investigação contra ele em 2018. "Por que começar esta operação por um líder da oposição?", questionou.
Segundo as investigações da Polícia Federal, Nogueira usou o mandato para trabalhar no Congresso pelos interesses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A corporação destacou que ele apresentou uma emenda que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Conforme as apurações, a proposta teria sido elaborada pela própria assessoria do Master. Mensagens apreendidas pelos agentes mostram Vorcaro comemorando a aprovação da emenda e afirmando que o texto saiu "exatamente como mandei". Em troca do suposto trabalho para Vorcaro, o senador teria recebido propina — de acordo com as apurações, a mesada seria de R$ 300 mil, valor que pode ter aumentado para R$ 500 mil.
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No vídeo postado nessa terça-feira, Nogueira negou que a proposta tenha sido publicada exatamente como foi recebida. Ele ressaltou, também, que o FGC é um fundo "totalmente privado" e que o valor não é atualizado há mais de uma década. "O que causa escândalo em um banco não é o FGC, é a falta de fiscalização", declarou.
O parlamentar aproveitou para disparar ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quem tem que fiscalizar é o Banco Central, e quem indica os diretores do Banco Central é o presidente da República. E é ele que tem que ser cobrado por isso", afirmou.
Para o senador, as operações são motivadas pela proximidade do período eleitoral. "As questões técnicas e as provas estão em segundo plano para eles", acusou.
Aliados políticos também saíram em defesa do senador. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou ao Correio que o parlamentar tem direito à presunção de inocência. "Tem que ser investigado, dado amplo direito à defesa e só depois disso tudo é que se pode saber", declarou.
O deputado ressaltou ter boa relação com o senador e negou qualquer afastamento político após a operação. "Eu já liguei para ele, conversei com ele depois da operação. Zero problemas", afirmou.
Cavalcante, porém, fez ressalvas à postura política de Nogueira em relação ao governo Lula. Segundo ele, embora o senador se apresente como oposicionista, frequentemente vota alinhado ao Palácio do Planalto. "Ele verbaliza que é oposição, mas, na hora de votar, 80% das vezes vota com o governo Lula", declarou.
No Senado, o escândalo envolvendo o Banco Master intensificou a pressão política pela instalação de uma CPI ou CPMI para investigar o caso. O senador Paulo Paim (PT-RS) disse considerar o episódio "a situação mais grave" que acompanhou em quatro décadas de atuação parlamentar. "Eu assinei tanto a CPMI como também assinei a CPI do Senado. É uma situação gravíssima. Estou aqui há 40 anos e acho que é a mais grave de todas", afirmou na tribuna.
Apesar do tom contundente, Paim evitou acusar diretamente os investigados e defendeu que as denúncias sejam apuradas pelas comissões parlamentares. Atualmente, diferentes requerimentos tramitam no Congresso para investigar as operações do Master e possíveis relações entre executivos da instituição e agentes públicos.
Nos bastidores, parlamentares pressionam o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para que faça a leitura formal do pedido de CPMI, etapa necessária para a instalação da comissão. A demora tem provocado críticas tanto da oposição quanto de integrantes da base governista favoráveis às investigações.
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