SUPREMO

Datafolha: maioria dos brasileiros defende vaga para mulher no Supremo

Pesquisa mostra que gênero, raça e independência política devem pesar na escolha próximo ministro do Supremo

A maior parte da população brasileira avalia que a diversidade deve pesar na escolha do próximo integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). É o que aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (18/05), pela Folha de S.Paulo.

A maioria dos entrevistados, 51%, considera como “muito importante” que a vaga seja ocupada por uma mulher. Atualmente, apenas a ministra Cármen Lúcia integra a Corte. Outros 18% disseram considerar esse fator “um pouco importante”, enquanto 27% afirmaram que gênero não interfere na escolha.

A presença de uma pessoa negra no STF também aparece como prioridade para parte significativa da população. Para 46%, esse aspecto é muito importante; 16% enxergam relevância no tema e 35% disseram não considerar a questão racial um critério importante.

O levantamento ainda mediu a percepção dos brasileiros sobre religião no Supremo. Quase metade dos entrevistados, 46%, considera muito importante que o indicado seja religioso. Outros 20% disseram atribuir importância moderada ao fator.

Além de gênero, raça e religião, o Datafolha investigou quais características são mais valorizadas pela população em um ministro do STF. O principal atributo citado foi o conhecimento jurídico: 85% afirmaram que um excelente preparo técnico é indispensável para ocupar a vaga, enquanto 6% consideram esse requisito pouco importante.

Outro ponto que dividiu opiniões foi a relação do indicado com o presidente da República. Metade dos entrevistados, 51%, acredita que o futuro ministro deve demonstrar lealdade ao chefe do Executivo responsável pela indicação. Já 25% disseram que essa característica não tem importância. No entanto, a pesquisa também revela que 64% esperam que o novo integrante do Supremo atue sem vínculo com partidos ou grupos políticos. Outros 16% classificaram isso como um fator “pouco importante”.

O levantamento também perguntou sobre a relação do futuro ministro com o Congresso Nacional. Para 47% dos brasileiros, é importante que o indicado tenha afinidade política com deputados e senadores, enquanto 26% disseram que isso não deveria pesar na escolha.

Já o apoio dos atuais integrantes do STF ao novo nome foi considerado relevante por 53% dos entrevistados. Outros 20% disseram não ver importância nesse aval, e o mesmo percentual afirmou enxergar apenas relevância moderada.

Os dados foram coletados em meio à disputa pela vaga aberta após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, anunciada em outubro. A sucessão no Supremo se transformou em um revés político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

A maioria da população, porém, sequer tomou conhecimento do episódio, apesar da grande repercussão na mídia. Segundo o Datafolha, 59% disseram não saber da rejeição. Entre os que acompanharam o caso, 53% avaliaram que o governo saiu enfraquecido, enquanto 36% afirmaram que não houve impacto político.
A pesquisa também mostrou diferenças entre os grupos políticos. Entre eleitores que pretendem votar em Lula em 2026, 64% consideram muito importante que uma mulher seja indicada ao STF e 60% defendem a escolha de uma pessoa negra. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, os percentuais caem para 41% e 35%, respectivamente.

A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 12 e 13 de maio, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-00290/2026.

 

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