Pré-candidato à Presidência da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) decidiu entrar na Justiça Eleitoral para suspender a divulgação da pesquisa de intenção de voto da Atlas/Bloomberg, que apontou forte queda no apoio ao nome dele após a divulgação dos áudios com conversas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O pedido de liminar para barrar a pesquisa foi protocolado, nessa terça-feira, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há, também, pedido para apuração de eventual crime eleitoral.
Os advogados do PL, que assinam o pedido de liminar, dizem que, do ponto de vista metodológico, os questionários apresentados pelo instituto podem ter sido elaborados para "induzir" o eleitor e, por isso, põem em dúvida o resultado apurado. "A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados", declarou Flávio, em nota.
A pesquisa capta os primeiros impactos da divulgação dos áudios em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para concluir o longa-metragem Dark Horse (azarão, em inglês), sobre a vida do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira, o senador publicou em suas redes sociais um trailer do filme, que ele considerou "o mais aguardado do ano".
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De acordo com a Atlas/Bloomberg, Flávio perdeu 6 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior na disputa em segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que ganharia a eleição por 48,9% a 41,8%. No primeiro turno, Flávio teria 34,3% dos votos, contra 47% de Lula.
A pesquisa — registrada no TSE com o número BR-06939/2026 — aferiu que mais da metade dos eleitores entrevistados (51,7%) tem conhecimento dos áudios e mensagens trocados entre Flávio e Vorcaro, e que acreditam no envolvimento do filho 01 com o escândalo do Banco Master.
Para os advogados do pré-candidato, o instituto de pesquisa estimulou a associação do nome de Flávio ao banqueiro preso para influenciar o resultado da enquete, configurando "precedente manipulativo grave". "Pesquisas eleitorais devem seguir critérios técnicos rigorosos, com transparência, equilíbrio e imparcialidade, para não serem utilizadas como instrumento de direcionamento da opinião pública", argumentaram na petição feita ao TSE.
Segundo a denúncia, os entrevistadores reproduziram aos eleitores trechos das gravações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, divulgadas na semana passada pelo site de notícias Intercept Brasil. Para a equipe de pré-campanha de Flávio, "o instrumento não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral".
Em nota publicada na rede social X, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, argumenta que o áudio não alterou a percepção dos entrevistados. "O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e, portanto, não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais. A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. A AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil, mas a nível global", ressalta.
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