CB Debate

Empresária do setor de alimentos aponta desgaste com escala 6x1

A CEO do Coffee Lab, Isabela Raposeiras, afirmou em evento realizado pelo Correio que redução da jornada trouxe queda no absenteísmo, melhora operacional e diminuição de despesas

A empresária Isabela Raposeiras, CEO do Coffee Lab e consultora do setor de varejo de alimentos e bebidas, defendeu o fim da escala 6x1 durante debate nesta terça-feira (26/5) sobre relações de trabalho, e afirmou que o modelo contribui para desgaste físico, alta rotatividade e aumento de custos nas empresas.

“Eu não sou a trabalhadora, eu sou a patroa e sou extremamente contra a escala 6x1”, declarou. Segundo ela, a posição é resultado tanto da experiência como empregadora quanto da trajetória anterior como funcionária em áreas como hospitalidade, educação e comércio. Raposeiras participou do CB Debate Escala 6x1: Em Busca do Equilíbrio na Jornada de Trabalho, realizado pelo Correio.

Isabela afirmou que se sentia “oprimida” pelo regime quando trabalhava como CLT, e disse que a discussão pública ainda carece de dados apresentados pelas entidades patronais sobre os impactos reais da jornada nas empresas.

Ao contestar estimativas que apontam aumento expressivo de despesas com a redução da carga horária, a empresária afirmou que não vê esses números na prática. “Eu discordo plenamente, porque eu não tenho visto isso no dia a dia”, disse.

Com atuação há mais de duas décadas em consultoria para pequenas e médias empresas, Isabela afirmou que o varejo de alimentos e bebidas está entre os segmentos mais complexos em termos de operação, por reunir produção, atendimento e prestação de serviço. Para ela, se mudanças de escala funcionam nesse setor, podem ser aplicadas em outras áreas da economia.

A empresária também citou um manifesto assinado por mais de 10 mil empresas favoráveis ao fim da escala 6x1, e relatou a experiência do Coffee Lab com a adoção da jornada 4x3. “Me arrependo profundamente de não ter feito antes”, afirmou, ao mencionar que o negócio funciona diariamente e mantém a nova organização de horários.

Qualidade de vida e redução de custos

Durante o debate, Isabela argumentou que jornadas menores têm impacto direto na qualidade de vida dos funcionários, principalmente em grandes centros urbanos. “As quatro horas fazem muita diferença na vida de quem se locomove”, afirmou, ao mencionar o tempo gasto em deslocamentos.

A empresária também rebateu críticas direcionadas à chamada geração Z, e afirmou que a discussão não pode responsabilizar os trabalhadores pelo desinteresse em vagas formais. “A gente está culpando a vítima pelo crime”, declarou.

Segundo ela, muitos profissionais buscam alternativas fora do mercado tradicional porque “a vida é muito inóspita quando a gente só trabalha”. Ainda de acordo com a empresária, a adoção de escalas mais flexíveis não provocou dificuldades de contratação em sua empresa.

Ao defender que a redução da jornada pode gerar economia, Isabela apontou índices elevados de rotatividade e absenteísmo no comércio e nos serviços. Segundo ela, algumas empresas chegam a registrar taxas superiores a 100% de troca de funcionários, cenário que eleva gastos com rescisões trabalhistas. “Em algumas empresas, isso pode representar 15% da folha de pagamento”, afirmou.

Também citou faltas recorrentes como um dos principais problemas enfrentados pelo setor e disse que, em muitos casos, as próprias equipes atuais já permitiriam reorganizar as escalas sem necessidade de grandes contratações.

No Coffee Lab, ela afirmou que o índice de absenteísmo está em 0,6%. “É praticamente só doença real”, declarou. Para Isabela, os custos reduzidos com demissões e ausências compensam eventuais ajustes necessários para implantação de novos modelos de jornada.

*Estagiária sob supervisão de Victor Correia

 

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