
Os pré-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) criticaram o relatório de Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que recomenda a imposição de 25% a uma lista de produtos importados do Brasil. Os dois primeiros afirmaram, ao participarem da 21º edição da Megaleite, no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte — pela qual Flávio Bolsonaro (PL) também passou —, que a culpa desse novo tarifaço é o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cury, por sua vez, em entrevista a uma rádio, defendeu que o Brasil adote uma política de reciprocidade em relação aos Estados Unidos. Já Renan Santos (Missão) disse que o tarifaço somente favorece a cncidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Caiado, a nova sugestão de tarifaço é resultado de uma política externa que perdeu o caráter institucional e passou a seguir uma orientação ideológica no governo Lula. "O que eu entendo é que o Brasil, governado pelo PT, não tem mais uma política no Itamaraty, uma política de Estado. Ele tem uma política de governo. A Chancelaria brasileira sempre foi uma referência mundial. De repente, tomou um lado ideológico e trabalhou todo o tempo para querer romper esse relacionamento com os Estados Unidos", criticou.
O ex-governador de Goiás também afirmou que o Brasil precisa retomar a capacidade de diálogo internacional e atacou o que classificou como alinhamento político do governo federal. "Sou um homem que rezo no altar da democracia. Sou um democrata na essência. Agora, sou mais do que nunca patriota e brasileiro", disse.
Caiado criticou a possibilidade de imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e defendeu a retomada das negociações com os Estados Unidos. "O que nós não podemos aceitar é que venham taxar aquilo que realmente o Brasil sempre teve uma parceria. Esperamos que esse diálogo seja reaberto", declarou, acrescetando que o Brasil tem importância estratégica no cenário internacional por causa da produção agrícola e das reservas minerais.
"Somos o único país no Ocidente que temos terras raras pesadas. Nós somos o único país no Ocidente que temos o controle de nióbio 100% no mundo", acrescentou.
Dobradinha
Zema foi na meama direção de Caiado, ao culpar o governo Lula pela ameaça de tarifas dos EUA aos produtos brasileiros. Segundo o ex-governador de Minas Gerais, essa situação evidencia falhas na condução da política externa brasileira — que estaria, conforme enfatizou, se aproximando de ditaduras e se afastando do Ocidente.
"Isso demonstra claramente a inoperância, a incompetência do governo Lula com as relações internacionais. Durante o governo Lula, nós temos assistido o Brasil se aproximar de regimes autoritários, de Cuba, do Irã, de outros governos que são tudo menos democráticos, e distanciar de países do Ocidente. E o resultado está aí mais uma vez. Quem perde é quem trabalha, quem produz", atacou.
O ex-governador também defendeu a reaproximação diplomática e comercial com países ocidentais. "O Brasil precisa, como eu tenho dito, se aproximar do Ocidente. Nós somos um país ocidental, um país cristão, as nossas raízes estão na Europa e temos aqui na América países que são nossos irmãos ou primos e simplesmente viramos as costas para os mesmos", afirmou.
Augusto Cury, por sua vez, foi numa direção diferente da de Caiado e Zema. Em vez de atribuir ao governo Lula a culpa pelo tarifaço, sugeriu que o Brasil adote uma política de reciprocidade em relação aos EUA e frisou que se o governo norte-americano decidir por uma nova taxação de importações brasileiras, a reação tem de vir.
"Não podemos ter uma condição de subservientes. Tem de ser uma relação séria, pacífica, mas inteligente e de igualdade. Uma política de reciprocidade. E o Brasil centrado no que importa. Importa a soberania nacional", argumentou, durante entrevista à rede de rádios TMC.
Para o pré-candidato, "as relações com os Estados Unidos têm de ser boas, pois o Brasil precisa expandir o seu comércio. O Brasil não pode ser vendido apenas como fazenda ou celeiro do mundo, mas vendido como supermercado do mundo. Os Estados Unidos estabeleceram taxa de 25% e isso pode comprometer várias pautas brasileiras. São a maior economia do mundo, mas estão superendividados. O desespero dos EUAs está na necessidade de resolver uma equação gravíssima, que é a dívida deles. Agora, eles não podem resolver a dívida só tarifando o Brasil e prejudicando a nossa economia. Vai ser um relacionamento excelente, olhos nos olhos, mas, se eles nos taxarem em alguns temas, temos de taxar", salientou.
Favorecimento
Já Renan Santos afirmou que a proposta de tarifaço favorece o discurso de Lula. "Esta semana, quando o Trump avisa que vai tarifar produtos brasileiros, ele gera tudo o que o Lula queria: um inimigo externo para falar que está defendendo o Brasil. Mas ninguém está defendendo nada", afirmou.
Em um vídeo que circula nas redes sociais, o pré-candidato do Missão criticou a relação de Lula e de Flávio Bolsonaro com o presidente Donald Trump. "Isso é ridículo, tanto para a esquerda como para a direita", lamentou.
Renan acrescentou que os encontros de Trump com Lula e com Flávio são uma forma do presidente norte-americano "fazer média". Para o pré-candidato, "ele (Trump) se dá bem com os dois e o Brasil acaba ficando nesse jogo de empurra que não tem nenhum sentido", acrescedntando que isso só prejudica o brasileiro.
"Acho que quem fica buscando coerência ideológica no Trump vai acabar se dando muito mal", arrematou.

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