caso master

BRB vai abrir processo contra ex-gestores, anuncia presidente

Em audiência no Senado, o presidente do banco, Nelson de Souza, anuncia ações de responsabilidade civil contra ex-gestores ligados ao escândalo Master

Nelson de Souza (E) disse não ter informações sobre quantas vezes Vorcaro foi ao Banco de Brasília -  (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press)
Nelson de Souza (E) disse não ter informações sobre quantas vezes Vorcaro foi ao Banco de Brasília - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, afirmou que a instituição vai ingressar com ações de responsabilidade civil contra ex-administradores envolvidos nas operações com o Banco Master. Segundo ele, o BRB já instaurou procedimentos de apuração contra dirigentes, empregados e demais pessoas citadas na auditoria feita pelo escritório Machado Meyer e em outras investigações em andamento. As declarações ocorreram em audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Souza enfatizou que o BRB buscará ressarcimento por danos causados ao patrimônio do banco. "Abrimos apurações para todos os dirigentes, empregados e qualquer um que foi citado dentro do relatório da Machado Meyer ou de apurações que venham a chegar", frisou. "Vamos ingressar com ação de responsabilidade civil contra todos os ex-administradores."

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Ao detalhar as medidas adotadas, Souza informou que parte dos ativos ligados ao grupo de Daniel Vorcaro, dono do Master, já foi alvo de arresto judicial. Segundo ele, a atual administração conseguiu o bloqueio de 23,5% das ações que estavam sob controle de empresas ligadas ao empresário.

Questionado sobre a relação entre Vorcaro e o BRB, o presidente afirmou não ter informações sobre quantas vezes o banqueiro esteve na instituição. "Não tenho realmente esses detalhes", respondeu. O executivo ressaltou que os processos relacionados ao caso estão sendo conduzidos tanto na Justiça quanto em corregedorias e órgãos responsáveis pela apuração de responsabilidades.

Souza também abordou a situação financeira do banco e o atraso na divulgação do balanço referente ao exercício de 2025. Segundo disse, as demonstrações financeiras serão publicadas assim que forem concluídos os procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória exigidos pelos órgãos de controle.

"O banco tem total interesse em divulgar o balanço. A quem mais interessa essa divulgação é ao próprio BRB, especialmente diante da corrida de liquidez que vem se acentuando pela ausência dessas demonstrações financeiras", ressaltou. De acordo com ele, a publicação ocorrerá imediatamente após a conclusão das etapas técnicas previstas pelas normas do sistema financeiro.

Outro ponto central da audiência foi a defesa do acordo firmado entre o Governo do Distrito Federal, a União e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Souza classificou como essencial a aprovação, pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), do projeto de lei que formaliza a operação. O texto prevê um empréstimo de cerca de R$ 6,5 bilhões ao BRB, além de garantias oferecidas pelos maiores bancos do país. Para o presidente da instituição, a medida é decisiva para recompor a estrutura de capital e assegurar a continuidade das operações. "É um projeto de lei importantíssimo para o Banco de Brasília. A homologação do acordo firmado no Supremo pela Câmara Legislativa é fundamental para a sobrevivência do banco", declarou. O texto foi aprovado horas depois pela CLDF. 

Na sessão, Souza procurou transmitir aos parlamentares a mensagem de que o BRB trabalha para superar os efeitos da crise. De acordo com ele, os aportes previstos no acordo permitirão ao banco voltar a atender todos os índices regulatórios exigidos pelo Banco Central. O executivo também defendeu o papel dos bancos públicos no sistema financeiro nacional, especialmente na execução de programas sociais e no atendimento a regiões menos atraentes para a iniciativa privada.

Tensão

A audiência foi marcada por momentos de forte tensão política. Em um dos episódios mais acalorados da sessão, a senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) bateu boca com o presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). A parlamentar cobrou apoio à criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o caso Master e acusou o senador de atuar em defesa dos interesses da instituição financeira e de Vorcaro.

Dra. Eudócia saiu em defesa do filho, João Henrique Caldas, o JHC, ex-prefeito de Maceió, alvo de críticas de Calheiros por causa das investigações envolvendo o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). Em um dos momentos mais tensos da audiência, a senadora reagiu às declarações do colega de bancada e afirmou: "Eu nunca ensinei meu filho a roubar, diferente do senhor", provocando reação imediata do presidente da comissão e elevando o tom do debate.

Calheiros respondeu afirmando que a presidência da CAE não permitiria que a audiência fosse utilizada para discutir assuntos alheios ao tema central da sessão. O senador também declarou que qualquer parlamentar que tenha conhecimento de irregularidades deve encaminhar as informações às autoridades competentes. Apesar da troca de acusações, a audiência prosseguiu com os questionamentos ao presidente do BRB.

Ainda durante os trabalhos, Calheiros voltou a defender a responsabilização de envolvidos em supostas irregularidades no Iprev de Maceió, afirmando que eventuais prejuízos aos aposentados e pensionistas deverão ser ressarcidos. Já Dra. Eudócia insistiu na necessidade de aprofundar as investigações sobre o Master e reiterou o pedido para que o senador assinasse o requerimento de criação da CPI. O embate entre os parlamentares acabou se tornando um dos momentos de maior repercussão política da audiência.

 

 

  • Mesa:
presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, em pronunciamento;
presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
    Mesa: presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, em pronunciamento; presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
  • Nelson de Souza (E) disse não ter informações sobre quantas vezes Vorcaro foi ao Banco de Brasília
    Nelson de Souza (E) disse não ter informações sobre quantas vezes Vorcaro foi ao Banco de Brasília Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
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postado em 10/06/2026 03:55
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