Viagens internacionais

Wagner diz que dinheiro encontrado em sua casa veio de diárias do Senado

Parlamentar, alvo da Operação Compliance Zero, afirmou que não tem vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

"Os envelopes, inclusive, no caso de Brasília, eram envelopes com timbre do Senado Federal", explicou o senador - (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou nesta quinta-feira (18/6) que o valor encontrado em seu apartamento em Brasília é fruto, na maior parte, de diárias pagas pelo Senado para uma viagem internacional. A outra parte foi comprada por ele.

O parlamentar foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero e, segundo a Polícia Federal (PF) , teria recebido benefícios luxuosos, como um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, ingressos para shows internacionais, voos em aeronaves privadas, e pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas relacionadas ao seu núcleo familiar.
Como contrapartida, Wagner teria favorecido temas de interesse do Banco Master em sua atuação no Congresso Nacional, servindo como articulador de emendas sobre crédito consignado e sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). 
Em entrevista à Bandnews TV, ele garantiu que os valores referentes às diárias podem ser comprovados pela Casa. O senador explicou que viajou diversas vezes ao exterior e que, de 2019 até o momento, recebeu aproximadamente R$ 70 mil em diárias.
Segundo ele, o dinheiro encontrado em seu cofre provém dessas diárias, que, muitas vezes, não são totalmente gastas durante as viagens, e de dólares e euros comprados legalmente no Banco do Brasil.
O parlamentar destacou que, em Brasília, as diárias em espécie (dólar) são entregues em envelopes com o timbre do Senado Federal. Wagner afirmou que os valores estão declarados, pois foram recebidos oficialmente da instituição.
Ele justificou o armazenamento no cofre por ser dinheiro em moeda estrangeira, o que dificulta o depósito imediato em conta. “Está guardado no cofre, porque eu vou viajar. Nem sempre eu levo a diária. Às vezes, gasto um cartão e, portanto, o dinheiro está lá. Os envelopes, inclusive, no caso de Brasília, eram envelopes com timbre do Senado Federal, que é quando você recebe diária em espécie, em dólar. Então, do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo”, declarou.

Relação com investigados

Sobre a proximidade com Daniel Vorcaro e com Augusto Lima Wagner, ex-sócio do Master, afirmou que sua relação com Vorcaro é "praticamente zero", tendo se encontrado com ele apenas duas vezes.
O primeiro encontro ocorreu quando Vorcaro se apresentou como novo sócio de Augusto Lima no negócio do cartão Credcesta. O segundo foi para apresentar o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que Wagner indicou para prestar consultoria jurídica ao banco a pedido de Augusto Lima.
O senador negou veementemente ter apresentado o ex-ministro Guido Mantega a Vorcaro. Sobre Augusto Lima, Wagner o descreveu como um investidor que adquiriu a rede de supermercados Cesta do Povo e o cartão correspondente após um processo de privatização conduzido pelo estado.
“Eu não tenho, vou repetir, nenhum negócio com o Master ou com o Credcesta. Nós privatizamos a rede de supermercado Cesta do Povo, e essa rede levou junto o cartão. Daí para a frente, foi um negócio desenvolvido pelo banco e pelo próprio Augusto Lima”, disse.
Sobre o apartamento no Horto Wagner, o senador esclareceu que o imóvel citado nas investigações é um apartamento em construção, em um condomínio onde ele pretendia ajudar sua filha a adquirir uma unidade.

Candidatura e liderança estão mantidas

O parlamentar garantiu que vai manter sua candidatura ao Senado, pois não tem o que temer. “Em relação à minha candidatura, está absolutamente mantida. Eu estou muito seguro de tudo que eu fiz. Estou muito seguro da minha vida pessoal. Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF, não tenho empresa, não tenho nada. Eu tenho um apartamento, que é o apartamento que eu moro, e meu sítio lá em Andaraí. Esse é meu patrimônio, e está declarado no Imposto de Renda”, explicou.
O petista disse que conversou hoje, por telefone, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que recebeu a votos de solidariedade. “Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça para eu me retirar. Não acho que ele vai fazer isso, mas, se ele fizer o direito dele, o cargo é do presidente da República, o cargo de líder é do governo. Mas, eu falei com ele hoje, ele sequer tocou nesse tema", comentou.
Wagner continuou, ressaltando que é inocente e que respeita a decisão do ministro do supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. “Até agora, eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou no celular ou em alguma delação de alguém que eu desconheço quem foi, e vieram conferir comigo. Eu estou absolutamente tranquilo em relação a tudo que eu tenho a dizer", garantiu.

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postado em 18/06/2026 16:51
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