ATRITO NA FAMÍLIA BOLSONARO

"Não tem Bolsonaro bom para as mulheres", diz Maria do Rosário

Deputada do PT destaca que racha expõe disputa política no clã Bolsonaro; base governista vê desgaste no campo da direita e fala em impacto eleitoral para 2026

"Michelle Bolsonaro veio do mesmo clã, veio lavar roupa suja", afirmou Maria do Rosário - (crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O desentendimento público entre Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulheres, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue repercutindo no Congresso nesta quinta-feira (25/6). O vídeo divulgado ontem (24) pela ex-primeira-dama passou a ser explorado pela base governista como sinal de desgaste político dentro do campo da direita às vésperas da disputa eleitoral de 2026.

Ao Correio, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o episódio revela uma crise mais ampla no entorno da família Bolsonaro e pode ter reflexos no eleitorado feminino. “Não tem Bolsonaro bom para as mulheres”, disse.

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Segundo a parlamentar, o conflito pode ser explorado politicamente na disputa de narrativas, mas deve ser analisado com cautela. “Nós não nos deixamos enganar. Pode ser uma jogada para empurrar um candidato que se torna inviável e se colocar no lugar”, afirmou, ao comentar a possibilidade de rearranjos internos no grupo político.

Maria do Rosário também destacou que episódios envolvendo o clã Bolsonaro costumam ter forte repercussão pública, mas nem sempre resultam em maior coesão política. “Quando surge um vídeo em que alguém se coloca como vítima, isso mobiliza, mas a política é mais complexa do que isso”, disse.

Ao comentar a atuação de Michelle no cenário político, a deputada avaliou que há uma tentativa de construção de protagonismo com potencial eleitoral. “Michelle Bolsonaro veio do mesmo clã, veio lavar roupa suja”, afirmou. E ponderou: “Toda mulher que diz que sofreu uma humilhação recebe o nosso respeito, mas nós não somos bobas”.

Nos bastidores da base governista, a leitura é de que a crise familiar pode contribuir para enfraquecer a unidade da oposição, sobretudo em disputas regionais como a do Ceará, onde articulações envolvendo nomes como Eduardo Girão, André Fernandes e Ciro Gomes já vinham gerando tensões internas.

Enquanto parte da oposição minimiza essa hipótese e trata o conflito como uma “briga de família” sem impacto estrutural na corrida eleitoral, integrantes da base governista entendem que episódios de exposição pública dentro do núcleo bolsonarista tendem a afetar a percepção de estabilidade do grupo, especialmente entre eleitores indecisos.


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postado em 25/06/2026 11:58
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