Uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu, nesta terça-feira (9/6), um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio MP suspeitos de serem infiltrados do PCC.
Segundo investigações, eles estariam envolvidos em um plano para matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e em um esquema de extorsão de investigadores.
Além dos três mandados de prisão temporária, há dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo, incluindo contra um policial penal.
Por envolverem suspeitos integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, além do 1º Batalhão de Ações Especiais da Polícia (BAEP), de Campinas, participam da operação as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, e a Comissão de Prerrogativas da OAB, especificamente para as buscas em escritório de advocacia.
As investigações buscam apurar novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio MPSP.
O chefe de investigadores preso, Maurício Aparecido de Oliveira, atuava na Delegacia de Investigação sobre entorpecentes (Dise) de Campinas na época de duas operações para apurar os planos de atentado contra um promotor e também um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois traficantes. O ex-estagiário, que hoje é advogado, trabalhava em uma promotoria criminal do MP de Campinas, o nome dele não foi divulgado. A suspeita é que ele tenha entrado na promotoria já com a intenção de obter informações.
O terceiro preso é um ex-policial civil que, segundo o Ministério Público, teria ajudado o então estagiário e participado do esquema. O nome dele também não foi divulgado. Ele já havia sido preso em 2008 e acabou expulso da Polícia Civil após ser condenado por um caso de extorsão mediante sequestro.
Na ocasião, de acordo com a denúncia do Ministério Público, ele e outros dois policiais prenderam uma mulher investigada por tráfico de drogas e exigiram dinheiro de um suposto chefe da quadrilha para libertá-la.
A operação Infiltrados é um desdobramento de duas operações deflagradas no ano passado. Uma delas, a Operação Pronta Resposta, foi deflagrada em agosto, apurou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que, dentre outros crimes, estaria planejando um atentado contra a vida do promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filhos.
Já a Operação Off White, deflagrada em 30 de outubro de 2025, foi realizada para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligada a dois dos traficantes mais procurados do Brasil. Entre eles, um dos principais chefes em liberdade do PCC: Sérgio Luiz de Freitas (Mijão ou Xixi).
A investigação
Nos últimos meses, as investigações do Gaeco indicaram que, uma semana antes da deflagração da operação Pronta Resposta, um dos principais acusados, responsável direto pela execução do plano para matar o promotor de Justiça do Gaeco, se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas.
No material apreendido, vídeos mostram o encontro realizado entre os investigadores, justamente às vésperas da deflagração da operação que viria a frustrar o suposto atentado contra o membro do Ministério Público.
Em outro foco investigativo também decorrente das Operações Pronta Resposta e Off White, o Gaeco descobriu que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por agente que se valia de informações privilegiadas.
Com o aprofundamento do trabalho, o Gaeco apurou que o responsável direto pela extorsão praticada contra o membro da organização criminosa seria um então estagiário do próprio Ministério Público que, ao que tudo indica, meses antes, teria propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos.
Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o então estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e extorquido dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações.
Entre esses agentes públicos, estariam o policial penal e o ex-policial civil, alvos da operação desta quinta. Também foram colhidos elementos que apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados pela internet em um escritório de advocacia.
Na análise de um celular apreendido com Maurício Silveira Zambaldi, o "Dragão", empresário preso no ano passado suspeito de participar de plano para matar o promotor, foi encontrada uma cobrança de R$500 mil para que não fossem enviadas informações para o Gaeco sobre a atuação dele.
A pessoa dizia ser de Balneário Camboriú (SC), mas o Gaeco descobriu que se tratava de um advogado que, na época, trabalhava em uma Promotoria Criminal do MP de Campinas e acessava processos ligados à organização criminosa e de outros “potenciais alvos” de extorsão.
Ainda não se sabe se algum investigado chegou a pagar pelas informações oferecidas. A operação desta terça tem como objetivo também colher mais provas e elementos sobre essa questão.
Semanas após as operações que envolviam o alvo “Dragão", o então estagiário pediu para sair da Promotoria e passou a trabalhar em um escritório de advocacia em Campinas, que também foi alvo de buscas nas Operação Infiltrados.
Em nota oficial, O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) divulgou a realização de uma entrevista coletiva com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), no prédio do MPSP, nesta terça-feira (9/6), a partir das 10h, para detalhar a Operação Infiltrados que teve como objeto a apuração de novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional.
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