A percepção de que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exerceu influência sobre decisões recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é compartilhada por uma parcela significativa dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10/6).
De acordo com o levantamento, 47% dos entrevistados concordam mais com a versão apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Lula tem atribuído a Flávio Bolsonaro parte da responsabilidade pela deterioração das relações entre os dois países e pela proposta de sobretaxação anunciada pela Casa Branca.
Já 35% dos entrevistados afirmam concordar mais com a versão do senador, que nega ter atuado em favor da medida e sustenta ter defendido a manutenção das condições comerciais entre os dois países. Outros 18% não responderam.
A pesquisa mostra ainda preocupação dos brasileiros com os efeitos econômicos do chamado tarifaço. Para 55% dos entrevistados, a eventual cobrança de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros terá impacto negativo sobre sua vida ou a de sua família.
A proposta foi anunciada pelos Estados Unidos após uma investigação comercial que concluiu que o Brasil adota práticas consideradas restritivas ao comércio com empresas norte-americanas. A medida ainda não entrou em vigor.
Repercussão da decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas
O levantamento também mediu a repercussão da decisão do governo Trump de enquadrar Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida já era conhecida por 63% dos entrevistados, enquanto 36% afirmaram ter tomado conhecimento do assunto apenas durante a pesquisa.
Ainda de acordo com a pesquisa, 47% acredita que Flávio Bolsonaro teve participação na decisão do governo americano de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. Outros 37% afirmam que ele não teve influência, enquanto 16% não souberam responder ou preferiram não opinar.
Questionados sobre a adoção da mesma classificação pelo governo brasileiro, 60% defenderam que as duas facções sejam consideradas organizações terroristas. Outros 29% discordaram da proposta e 11% não souberam responder.
Já em relação à decisão dos Estados Unidos, a opinião pública aparece dividida. O percentual dos que apoiam a classificação das facções pelo governo norte-americano é idêntico ao dos que rejeitam a medida: 45% para cada lado. Outros 10% não responderam.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.
