
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu, nesta quarta-feira (1/7), a participação política das mulheres. Sem citar nomes, a parlamentar fez referência à recentes declarações de Paulo Figueiredo, influenciador próximo da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, que afirma que mulheres “votam estatisticamente mal”.
“Quero falar olhando para a mulher brasileira: não recue”, declarou Damares. “Não tenha medo. Venha para a política. Participe, se engaje. Lute pela sua cidade, pelo seu estado, pelo seu país. Lute pelo que você acredita. Vão tentar te desanimar? Vão. Vão inventar mentiras sobre você? Vão. Mas você precisa ser forte”.
O pronunciamento acontece em meio à crise interna da ala bolsonarista desencadeada por troca de acusações entre a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nas redes sociais, Michelle afirmou ter sido "maltratada" pelo filho do ex-presidente. Na terça (30), ela anunciou a saída do PL Mulher.
“Deixa eu dizer para as mulheres que são pré-candidatas e que estão sendo atacadas neste momento pela violência política de gênero: não desanimem, não tenham medo. Nós temos uma lei hoje que tipifica a violência política contra a mulher. Usem a lei ao seu favor”, afirma em trecho publicado nas redes sociais.
Ao citar os comentários de Paulo Figueiredo, Damares lembrou a luta histórica pelos direitos políticos das mulheres. “Esqueceram da história. Esqueceram das mulheres que apanharam nas ruas e brigaram lá atrás, há quase 100 anos, só para a gente ter o direito de ir à urna" , disse.
Recado aos presidenciáveis
Durante o pronunciamento, a senadora cobrou posicionamento dos colegas e pré-candidatos à presidência, como Flávio Bolsonaro. “Se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência”, apontou. “Venham colegas, venham para essa luta. Venham conosco. Não deixem apenas a mulher defender mulher”.
Mais cedo, Flávio repudiou as falas de Paulo Figueiredo e tentou se distanciar do aliado, afirmando que ele não faz parte da campanha para as eleições presidenciais de 2026. “Óbvio que é uma pessoa que nos ajuda muito lá nos Estados Unidos, nas pautas que nós temos nos Estados Unidos, junto com meu irmão. E, em função disso, as pessoas tentam colocar no meu colo uma fala que não é minha. Eu não tenho responsabilidade sobre o que ele fala", disse.
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