
Com a chapa ao Planalto definida, o ex-governador de Goiás e pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD) tem um desafio pela frente: entender a estratégia a ser usada na campanha e se ela incluirá manter um discurso mais bolsonarista ou se afastar desse núcleo para se colocar como candidato independente na terceira via.
A escolha do presidente da legenda, Gilberto Kassab, para ser seu vice teve apoio massivo do partido e gerou a unanimidade de que Kassab vai agregar para a campanha de Caiado. Mas a questão eleitoral sobre o eleitorado bolsonarista divide os correligionários.
Uma ala acredita que, para uma melhor colocação de Caiado entre os eleitores brasileiros, é necessário que o ex-governador se afaste do bolsonarismo. Esse grupo defende que o candidato de terceira via precisa ser independente e sair da polarização que há entre o PL e o PT. Porém, para pessoas próximas do goiano, se Caiado continuar a dar sinais para esse grupo específico da direita, será muito difícil para o eleitor diferenciá-lo de Flávio Bolsonaro na hora de ir à urna.
Em abril, a pesquisa da Atlas/Intel e da Arko Advice de abril mostrou que o maior motivo de rejeição para Caiado era justamente a associação com o bolsonarismo, 53,2%. O levantamento procurou entender as motivações de rejeição de candidatos.
O outro grupo de aliados do ex-governador defende que o presidenciável pense a estratégia de campanha levando em conta que o espólio bolsonarista ainda é muito forte no campo da direita, no que se refere a votos, e não pode ser "descartado" ou "menosprezado". Além de Caiado, outros candidatos também acenaram ou acenam para os simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro, como Romeu Zema (Novo) e Ratinho Jr (PSD) — que abdicou da pré-campanha ao Planalto. Essa ala do PSD acredita que ter o apoio dos bolsonaristas e converter parte deles em voto será essencial para que Caiado chegue a um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Terceira via
Independente do caminho que a campanha de Caiado escolher, uma coisa é certa: a defesa de que o ex-governador é o nome dos independentes. Durante o anúncio de Kassab como seu vice-presidente na última semana, o goiano afirmou que ter o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno é tudo o que Lula deseja. "Se Flávio chegar ao segundo turno, com todo respeito que ele merece, sabemos que é tudo o que Lula quer: governar o Brasil por mais quatro anos", declarou o presidenciável.
Na avaliação de políticos, aliados de Caiado e de Flávio, o primeiro turno será marcado por ataques a Lula, mas também ao senador, uma vez que os candidatos da direita precisam "roubar" votos de Flávio.
Caiado afirmou que, junto com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sua chapa será a representação do candidato dos eleitores que não simpatizam com os dois favoritos na disputa ao Planalto. "Nossa campanha não tem volta, Kassab e eu estamos apresentando um projeto político para o país. Ao apresentar um projeto, temos aqui a coragem de dizer: se nós chegarmos no segundo turno, teremos os votos dos independentes e ganharemos. Bateremos Lula no segundo turno", enfatizou.
Na direita foi acordado que ataques durante o período eleitoral fazem parte do jogo político, contanto que não utilizem ofensas para esse confronto contra Flávio. Esse mantra tem sido repetido entre aliados já que os nomes que não conseguirem chegar ao segundo turno afirmam apoiar o primogênito de Jair Bolsonaro na disputa. Para não haver nenhum racha nos futuros apoios, o tom das críticas deverá ser muito bem dosado.

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