
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (8/7), que a participação na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) teve como objetivo defender os interesses brasileiros diante da possibilidade de o governo norte-americano impor tarifas de 25% sobre produtos do país.
Em transmissão ao vivo realizada em seu canal no YouTube, o parlamentar disse que permaneceu mais tempo do que o previsto em Washington para participar das discussões e criticou a ausência de representantes do governo federal no encontro.
Segundo o senador, além de apresentar argumentos técnicos contra a taxação, ele buscou levar uma mensagem política aos integrantes do órgão responsável por formular uma recomendação ao governo dos Estados Unidos.
"Vim proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Está todo mundo vendo o vexame que o Lula está sendo na parte internacional, alguém que a todo momento ataca os EUA, faz questão de dizer que é anti-americano", declarou.
Flávio afirmou que, nos bastidores da audiência, já existe a expectativa de que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomende ao governo a adoção das tarifas.
"Já é uma coisa que já está todo mundo falando", disse. Diante desse cenário, afirmou que decidiu ampliar sua atuação durante a sessão."Cabia a mim ali fazer não só a defesa técnica, mas a política", declarou, acrescentando que buscou apresentar argumentos capazes de convencer as autoridades americanas a reverem a medida.
Entre os pontos defendidos pelo parlamentar estiveram a manutenção do Pix, que classificou como uma inovação, e a avaliação de que novas tarifas prejudicariam tanto empresas brasileiras quanto consumidores e companhias dos Estados Unidos.
Além da defesa contra a taxação, Flávio Bolsonaro afirmou que apresentará aos representantes americanos uma proposta para ampliar a integração comercial entre os países. Segundo ele, a ideia é discutir a criação de uma área de livre comércio envolvendo Brasil, Estados Unidos, México e Canadá, inspirada no atual acordo comercial norte-americano.
"Eu vou levar essa questão que eu falei, da possibilidade de ter uma área de livre comércio das Américas, e não apenas entre Estados Unidos, México e Canadá. É algo que o Brasil pode ser incluído, acho que a gente pode conversar pra Argentina vir junto também, isso é um mercado consumidor muito grande [...] A gente poder exportar pra lá muita coisa, com uma tributação menor."
O senador argumentou que as economias brasileira e norte-americana são "complementares" e defendeu que um acordo dessa natureza abriria espaço para novos investimentos e para a ampliação do comércio bilateral.
Na live, o filho 01 de Bolsonaro afirmou ainda que procurou demonstrar que a medida poderia fortalecer a relação comercial entre Brasil e China, em prejuízo dos interesses norte-americanos.
O senador também criticou o fato de o governo brasileiro não ter enviado um representante para participar da audiência. "Não pararam de questionar por que o Lula não enviou um representante", afirmou. Segundo ele, a presença de integrantes do governo seria esperada em um processo considerado decisivo para a definição das tarifas, cuja decisão final está prevista para 15 de julho.
Durante a transmissão, Flávio disse ainda que pretende manter reuniões com interlocutores ligados ao governo americano para tentar influenciar a decisão.
"Tentar entender como funciona a cabeça do presidente Trump, se algo vai sensibilizar ele" é, segundo o parlamentar, parte da estratégia adotada durante a viagem. "É fundamental eu tentar, eu fazer esse esforço", acrescentou ao defender que esgotará todas as possibilidades de negociação antes da definição do governo dos Estados Unidos.
Flávio também afirmou ter sentido falta da participação de outros pré-candidatos à Presidência na audiência pública. Segundo ele, qualquer postulante ao Palácio do Planalto deveria aproveitar a oportunidade para defender os interesses brasileiros diante do governo americano.
"Eu senti falta, por exemplo, aqui de outros pré-candidatos a presidente fazendo o que eu fiz aqui. Porque era uma audiência pública. As pessoas podiam se inscrever. Cadê os outros pré-candidatos a presidência da República que não estão aqui defendendo os interesses brasileiros? É muito mais fácil ficar criticando a atuação do Flávio Bolsonaro. É muito mais cômodo."
O senador disse que pretende continuar a agenda de reuniões em Washington para tentar influenciar a decisão americana antes do prazo final. Segundo ele, os encontros são reservados e têm o objetivo de apresentar novos argumentos a pessoas que possam contribuir para uma eventual revisão da recomendação do USTR.
Na avaliação de Flávio, a aproximação política pode ser determinante diante da expectativa de que o órgão faça uma recomendação favorável à aplicação das tarifas.
Audiência pública
A audiência pública integra a etapa final da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos sobre o Brasil e reúne representantes de governos, entidades e setores produtivos para apresentar manifestações antes da decisão da Casa Branca sobre a adoção das sobretaxas.
Além de Flávio Bolsonaro, participaram da sessão representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que defenderam que a eventual taxação poderá elevar custos para empresas brasileiras e reduzir investimentos e empregos.
Novas tarifas
As discussões sobre a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos tiveram início em julho de 2025, quando Washington abriu uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado para apurar possíveis práticas consideradas desleais.
Entre os pontos analisados estão o funcionamento do Pix, o comércio digital, o acesso ao mercado de etanol, a proteção à propriedade intelectual, ações de combate à corrupção e políticas de fiscalização ambiental.
Em junho deste ano, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apresentou duas propostas de aumento tarifário. A principal prevê uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, enquanto outra estabelece uma tarifa adicional de 12,5%.
Caso ambas sejam implementadas, as tarifas poderão chegar a 37,5%. A audiência pública desta semana representa a etapa final da consulta antes da decisão definitiva, prevista para 15 de julho, quando o governo americano deverá definir se as medidas entrarão em vigor imediatamente.

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