
Uma mudança que alteraria a imagem usada há décadas para indicar acessibilidade no Brasil não vai sair do papel. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), optou por vetar esse trecho específico ao sancionar a Lei 15.459/26, mantendo a conhecida silhueta de uma pessoa em cadeira de rodas como símbolo oficial, em vez de adotar a versão mais nova sugerida pela ONU.
A proposta de atualização visual fazia parte do Projeto de Lei 2199/22, do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ). Pelo texto original, o país deixaria de usar o desenho atual e passaria a seguir regras específicas para substituir gradualmente as placas pela nova versão. Essa foi justamente a parte que não avançou.
Por que Lula vetou
Na justificativa enviada ao Legislativo, o governo apontou uma falha no processo: a proposta de mudança do símbolo não passou pelo crivo das organizações que representam pessoas com deficiência antes de ser aprovada, algo que contraria diretamente a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Há também uma preocupação prática. Para o Executivo, trocar um ícone que já é amplamente reconhecido pela população poderia, paradoxalmente, prejudicar o próprio grupo que a lei tenta proteger, gerando confusão e novas barreiras de reconhecimento.
O que muda na prática
Apesar do veto ao novo desenho, o restante da lei segue valendo integralmente. As principais mudanças trazidas pela Lei 15.459/26 incluem:
- Novo nome, mesma imagem: a Lei 7.405/85 passa a chamar o símbolo de "Símbolo Internacional de Acessibilidade", deixando de lado o antigo termo "Símbolo Internacional de Acesso".
- Mais lugares com sinalização obrigatória: o símbolo terá que aparecer em rotas com piso tátil (de alerta e direcional), em faixas de circulação com piso firme, regular e antiderrapante, e também em maquetes ou mapas táteis que mostrem os pontos de circulação de um prédio.
- Uso restrito a locais realmente acessíveis: a lei deixa claro que o símbolo só pode ser afixado em espaços e serviços que sejam, de fato, acessíveis.
- Campanhas informativas: o texto também prevê ações para explicar à população o que o símbolo representa e por que ele importa.
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