
O anúncio do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à candidatura da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) ao Senado provocou forte repercussão nos bastidores de Brasília. A decisão foi recebida com entusiasmo por integrantes da direção nacional do PT e do PSB, que enxergam na parlamentar um nome capaz de ampliar a base governista em Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, a movimentação gerou desconforto entre setores do partido e críticas da oposição, que lembram o passado político da senadora ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na cúpula petista, a avaliação é de que a aproximação com Soraya faz parte da estratégia de Lula de ampliar alianças para garantir maioria no Senado a partir de 2027. Integrantes da direção do partido afirmam, reservadamente, que a prioridade do presidente é formar uma bancada mais alinhada ao Palácio do Planalto, mesmo que isso exija acomodar lideranças que estiveram em campos políticos opostos nos últimos anos.
O discurso predominante é o de que a senadora rompeu com o bolsonarismo ainda em 2022 e passou a votar em sintonia com pautas do governo.
No PSB, dirigentes classificam a aliança como um movimento natural após a filiação de Soraya à legenda. A avaliação é de que a senadora fortalece o partido em Mato Grosso do Sul e amplia a competitividade da federação governista no estado. Interlocutores da sigla afirmam que o apoio de Lula também reforça a estratégia de ampliar a presença feminina na política, bandeira defendida pelo presidente durante a reunião que selou o acordo.
Apesar do respaldo da direção nacional, o movimento não passou sem resistências entre petistas sul-mato-grossenses. Nos bastidores, parte da militância demonstrou incômodo com a aproximação de uma parlamentar que construiu sua carreira política ao lado de Bolsonaro. Lideranças locais, no entanto, reconhecem que a orientação do Palácio do Planalto é priorizar candidaturas consideradas competitivas para ampliar a representação da base aliada no Congresso.
Na oposição, a aliança foi recebida com críticas e acusações de oportunismo político. Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro afirmaram que Soraya abandonou o discurso que a elegeu em 2018 para se aproximar do governo em busca de viabilidade eleitoral.
Nos bastidores, integrantes do campo conservador classificam a mudança de posição da senadora como um movimento pragmático, motivado pela disputa ao Senado, e sustentam que a aproximação com Lula representa um rompimento definitivo com o eleitorado bolsonarista.
Para aliados de Lula, contudo, o episódio simboliza uma estratégia que deverá se repetir em outros estados: ampliar o arco de alianças em torno de candidaturas consideradas viáveis, independentemente da trajetória política anterior dos aliados.
A expectativa no entorno do presidente é que a composição fortaleça o projeto de reeleição do petista e contribua para a formação de uma maioria governista no Senado, considerado peça-chave para a agenda do Executivo nos próximos anos.

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