
O negócio previa a criação de um fundo de investimento com uma carteira de R$ 15 bilhões - (crédito: Divulgação/BRB)
A Polícia Federal concluirá em agosto o inquérito aberto para apurar a venda de R$ 12 bilhões de títulos podres do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). De acordo com investigadores ouvidos pela reportagem, sob a condição de anonimato, as equipes policiais desvendaram o emaranhado de recursos envolvidos e da origem dos papéis fraudulentos.
O montante inicial surpreendeu os investigadores, que avaliaram que o esquema é muito maior do que se imaginava. A Operação Compliance Zero, que investiga o esquema do Banco Master, foi dividida em várias etapas. Os prejuízos causados ao BRB estão presentes na primeira parte, pois estão em avaliação desde que o esquema criminoso foi descoberto.
Os investigadores avaliam que entre os indiciados podem estar Daniel Vorcaro, dono do Master; Paulo Henrique Costa, presidente do BRB; e ex-diretores do Banco Central. Mas os nomes dos primeiros envolvidos a serem enviados para avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não estão fechados. Paralelamente, outras investigações vão continuar em curso, como o envio de dinheiro ao exterior, a participação de outros envolvidos, além da contratação de influenciadores e jornalistas para atacarem o Banco Central por meio das redes sociais.
O financiamento do filme Dark Horse e o suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro ainda está na etapa inicial das investigações. Fontes na corporação acreditam ser remota a chance da realização de busca e apreensão ou de prisões sobre este trecho da investigação durante o período eleitoral, mas não descartam a hipótese, a depender dos rumos das diligências.
Outra etapa que ainda está em andamento é a que apura se ocorreu o envolvimento de autoridades locais do Distrito Federal, como deputados distritais, do ex-governador Ibaneis Rocha e do publicitário Thiago Miranda no esquema. Em relação a este grupo, ventila-se a possibilidade de ocorrer uma nova fase da operação para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão de passaporte nas próximas semanas.
Eventuais acordos de delação premiada podem atrasar a conclusão das diligências, caso tragam informações relevantes e ainda desconhecidas pelos investigadores. No entanto, neste momento, a única colaboração em tratativa é do advogado Daniel Monteiro, preso em São Paulo.
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Por Renato Souza e Eduarda Esposito
postado em 21/07/2026 20:00
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