
Pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro pediu, em encontro com embaixadores, que os países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” para supervisionar o pleito, em outubro.
“Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, declarou, durante reunião organizada pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, ontem, em Brasília.
Representantes das embaixadas no Brasil de Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido — além de outros 35 países — estavam presentes no evento. Além deles, enviados de dois blocos: a União Europeia, que reúne 27 Estados-membros; e a Liga dos Estados Árabes, com 22 membros, incluindo Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos.
No discurso, Flávio afirmou que um documento da CIA — a agência de inteligência dos Estados Unidos — apontou manipulação nas eleições venezuelanas de 2010. "Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, uma das suspeitas é que tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país nas eleições de 2010", enfatizou. "Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana", acrescentou.
Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma nota em que negou o uso de aparelhos da Smartmatic. "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil", escreveu a Corte. "Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país."
Flávio disse ainda que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está preso justamente por um encontro com diplomatas. "Jair Bolsonaro está inelegível após uma reunião com os embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral, e apenas manifestou suas preocupações para que os embaixadores levassem essa preocupação para os seus países", afirmou.
Em 2023, o TSE condenou Jair Bolsonaro à inelegibilidade. A decisão ocorreu em uma Ação de Investigação Eleitoral (AIJE) aberta para apurar a reunião com embaixadores, em julho de 2022, em que o então presidente colocou em dúvida a lisura das urnas eletrônicas, sem apresentar provas.
Vice indefinida
Flávio deve ser confirmado como candidato do PL na convenção nacional do partido, que ocorrerá neste fim de semana. A definição do nome que ocupará a vaga de vice na chapa, porém, segue em aberto. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, indicou que a palavra final caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.
Embora a cúpula do PL tenha intensificado as conversas nos últimos dias antes da convenção, interlocutores admitem que a definição depende de negociações políticas e da capacidade de o nome escolhido ampliar a aliança em torno da candidatura. O foco está em encontrar uma vice mulher, como forma de diminuir a rejeição a Flávio entre o eleitorado feminino.
Para tentar avançar nessa definição, Costa Neto se reuniu, ontem, com a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A ex-ministra da Agricultura era considerada uma das favoritas para compor a chapa por ter bom trânsito no agronegócio e no Congresso, além da relação próxima com Jair Bolsonaro.
Tereza Cristina, porém, recusou. Costa Neto relatou ao Correio que a parlamentar reafirmou o interesse por outro projeto político: concentrar esforço na eventual candidatura à Presidência do Senado em 2027. "Esse é o desejo dela", resumiu o dirigente.
A recusa obriga o PL a manter abertas outras frentes de negociação a poucos dias da convenção partidária. Nos bastidores, dirigentes reconhecem que a composição da chapa se tornou uma das principais pendências da campanha e que a decisão deve ser tomada apenas nos momentos finais, após consultas ao ex-presidente.
Entre os nomes que permanecem no radar está a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE). Ligada ao eleitorado evangélico e uma das principais aliadas de Bolsonaro em Pernambuco, a parlamentar afirmou ao Correio que receberia um eventual convite com entusiasmo. "Seria uma honra fazer parte do projeto do nosso capitão", disse, em referência a Bolsonaro.
Clarissa é vista por aliados como um nome capaz de reforçar o diálogo com as igrejas evangélicas, segmento considerado estratégico pela campanha. Sua eventual indicação também atenderia ao desejo de parte da base bolsonarista de ampliar a presença feminina em posições de destaque na chapa presidencial.
Sem voto
Outra opção analisada é a economista Daniella Marques, presidente da Caixa Econômica Federal no governo passado. Com perfil técnico e passagem pela equipe econômica, ela é lembrada por integrantes da legenda como um nome capaz de transmitir segurança na área econômica e dialogar com o mercado financeiro.
Apesar disso, a hipótese enfrenta resistência dentro do próprio partido. O principal crítico é Costa Neto. Ele já declarou publicamente que Daniella "não tem voto" suficiente para ocupar a vaga de vice. A avaliação de integrantes da cúpula é de que, embora tenha reconhecimento pela atuação na administração pública, ela ainda não construiu uma trajetória eleitoral capaz de agregar peso político à chapa.
Como a convenção será neste fim de semana, a expectativa é de que o anúncio da vice ocorra posteriomente, próximo do fim do prazo-limite — a definição tem de ocorrer até 5 de agosto.
Até lá, Costa Neto mantém conversas com lideranças aliadas, mas deixa claro que a decisão será submetida a Jair Bolsonaro, que continua exercendo influência direta sobre os principais movimentos do PL e sobre a estratégia eleitoral da legenda para 2026, mesmo estando em prisão domiciliar, por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. (Com Agência Estado)
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Armando Holanda
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Já passou pelas redações da Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco, SputnikNews Brasil e América Latina, além de passagens por grandes portais de notícias, a exemplo do Metrópoles. Vencedor d

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