
Integrantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) passaram a avaliar que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terão efeito cumulativo, ampliando o impacto sobre as exportações nacionais. A interpretação ganhou força após a divulgação do novo pacote tarifário pela Casa Branca, na quinta-feira (23/7), e reforçou a percepção, nos bastidores do governo, de que as negociações conduzidas nas últimas semanas acabaram servindo apenas para “cumprir tabela”.
Segundo apurou o Correio, membros do MRE entendem que as tarifas serão aplicadas de forma acumulada sobre os produtos brasileiros, com exceção dos itens contemplados nas listas de isenção divulgadas pelos norte-americanos. Na prática, determinados bens poderão ser submetidos a mais de uma sobretaxa, elevando o custo de entrada no mercado dos Estados Unidos.
Apesar da avaliação, integrantes da diplomacia brasileira afirmam que ainda não existe “uma relação consolidada de todos os produtos” que serão atingidos pela dupla tarifação. Técnicos dos ministérios envolvidos seguem analisando os documentos publicados pelo governo norte-americano para identificar o alcance das medidas e estimar seus impactos sobre os diferentes setores da economia.
Nas coxias do Palácio do Planalto, a leitura é de que o endurecimento da política comercial dos Estados Unidos reduz significativamente o espaço para uma solução negociada no curto prazo. A expectativa de integrantes do governo era de que as conversas abertas entre autoridades brasileiras e norte-americanas pudessem ao menos minimizar os efeitos das novas tarifas, cenário que não se confirmou com o anúncio feito por Washington.
O cenário mais provável, segundo um interlocutor do presidente Lula, é o de negociar as taxas apenas após eleição.

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