
A federação formada por PT, PCdoB e PV oficializa neste sábado (25/7), em Campinas, a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A convenção marca o início formal da campanha petista no estado e consolida a estratégia construída nos últimos meses de ampliar o diálogo com partidos aliados, lideranças do interior paulista e eleitores de centro. Durante o encontro, também devem ser anunciados os suplentes das candidaturas ao Senado, em um gesto de acomodação política entre as legendas da coligação.
A escolha de Campinas confirma uma decisão tomada pela direção nacional do PT no início deste mês, quando o partido desistiu de realizar a convenção em Ribeirão Preto. À época, dirigentes atribuíram a mudança a questões logísticas, argumentando que a realização do evento em uma cidade mais próxima da capital facilitaria a participação da militância e de lideranças estaduais. Nos bastidores, entretanto, adversários chegaram a atribuir a troca ao desgaste enfrentado pelo ex-ministro em parte do eleitorado do interior paulista.
A realização da convenção fora da capital mantém a estratégia petista de reforçar a presença no interior, região considerada decisiva para o resultado da eleição estadual. Em 2022, Haddad obteve desempenho superior ao de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Região Metropolitana de São Paulo, mas acabou derrotado após o atual governador ampliar a vantagem nas cidades do interior. A avaliação da campanha é de que reduzir essa diferença será um dos principais desafios para a disputa de 2026.
Nos últimos dias, a equipe do pré-candidato também intensificou a apresentação das diretrizes do programa de governo, com destaque para a área da segurança pública. O tema foi eleito como um dos principais eixos da campanha e deve ganhar espaço antes mesmo da divulgação do plano completo de governo. A proposta prevê ações voltadas ao combate ao crime organizado, fortalecimento da inteligência policial, integração das forças de segurança e ampliação de políticas de proteção a mulheres, crianças e idosos.
Entre as medidas defendidas por Haddad estão o uso mais intenso de inteligência artificial em investigações e na distribuição do efetivo policial, além da retomada da gravação ininterrupta das câmeras corporais utilizadas por policiais militares. A coordenação da proposta afirma que especialistas, pesquisadores e integrantes das forças de segurança participaram da elaboração das diretrizes, que buscam diferenciar o discurso petista da política adotada pela atual gestão estadual.
A segurança pública tende a se consolidar como um dos principais campos de confronto entre Haddad e Tarcísio, que buscará a reeleição. Enquanto o atual chefe do Executivo estadual tem destacado ações implementadas durante sua gestão, o petista intensifica as críticas à condução da política de segurança e promete apresentar alternativas para enfrentar a criminalidade. A expectativa dos partidos é de que, após a homologação das candidaturas, a disputa entre os dois pré-candidatos ganhe ritmo e concentre os principais debates da campanha paulista.

Mariana Morais
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Mariana Morais
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