rio de janeiro

Veja o que diz a PF sobre ligação de Márcio Poncio e esquema no RJ

5ª fase da Operação Unha e Carne põe atrás das grades pastor e empresário e se aproxima do filho de Sergio Cabral e do ex-governador Cláudio Castro

O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso, ontem, pela Polícia Federal (PF) deflagrou na quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho, conexões com a chamada Máfia do Cigarro e o vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho (CV) por integrantes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O chefe religioso é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade), que é conhecida nas redes sociais por levar uma vida cercada de luxo e ostentação.

Os agentes também cumpriram mandados contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar — ambos já presos por desdobramentos anteriores da investigação. Entre os alvos da operação também está o ex-deputado federal Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador fluminense Sérgio Cabral — preso por quase seis anos na Operação Calicute, braço carioca da Lava-Jato, por causa de cobrança de propina e lavagem de dinheiro em obras no Estado do Rio.

Marco Antonio foi assessor da presidência da Alerj, quando Rodrigo Bacellar era o presidente da Casa, e atualmente é pré-candidato a deputado estadual pelo Solidariedade. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, além da determinação de bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Em uma das anotações de Adilsinho consta o nome de Cláudio Castro, que também está envolvido nas investigações sobre o Banco Master. Ele teria autorizado a aplicação de quase R$ 3,7 bilhões pelo Rioprevidência no banco de Daniel Vorcaro, instituição que cuida da aposentadoria e pensões dos servidores do Estado do Rio. Além disso, o ex-governador aparece como participante de um evento de degustação de charutos e uísques, além de um jantar no restaurante do chef turco Salt Bae, em Nova York, no qual o ex-banqueiro teria gasto algo em torno de R$ 12 milhões no total.

Nas anotações de Adilsinho, o banqueiro de bicho menciona uma suposta doação de R$ 3,2 milhões para a campanha de Castro, em 2022. Apesar da referência ao ex-governador, ele não é alvo das medidas cautelares cumpridas, e a PF ainda analisa o conteúdo dos documentos antes de definir eventuais desdobramentos. O ex-governador este à frente do Palácio Guanabara entre 2021 e 2026 e deixou o cargo após renunciar um dia antes do julgamento, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de uma ação que poderia resultar na cassação de seu mandato e em sua inelegibilidade. Procurada pelo Correio, a assessoria de Castro não se manifestou até o fechamento desta edição. Já a defesa de Adilsinho nega que o investigado tenha realizado pagamentos indevidos a agentes políticos.

Estilo de vida

Poncio, por sua vez, foi preso poucas horas depois de publicar, nas redes sociais, uma mensagem sobre legado, perseverança e transformação de vidas. Em vídeo divulgado na noite de quarta-feira, o empresário relembrou sua trajetória profissional, iniciada em uma fábrica de tabaco, destacou sua família e afirmou que o verdadeiro sucesso está na capacidade de transformar a vida de outras pessoas. Ele é dono de mais de 20 empresas nas áreas de construção, mercado imobiliário, aviação, alimentação e marketing.

Oriundo de Duque de Caxias, Poncio é conhecido nas redes sociais também pelo estiulo de vida extravagante. Ele reúne mais de 500 mil seguidores e costuma compartilhar conteúdos sobre sua rotina, atividades religiosas e posicionamentos públicos. A família ganhou notoriedade nacional em razão das polêmicas envolvendo o cantor Saulo Poncio e a filha Sarah.

Ele é casado com Simone Poncio, que está grávida aos 50 anos. Atuou como chefe religioso na Igreja Pentecostal Anabatista e, posteriormente, vinculou-se à chamada "Igreja da Nuvem". Em 2022, Poncio tentou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. Obteve cerca de 33 mil votos e terminou como segundo suplente. Em julho de 2025, tentou novamente o Executivo ao lançar candidatura em uma eleição suplementar para a Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, mas foi derrotado nas urnas por Jonas Dico (Podemos).

De acordo com a PF, a atual fase da Unha e Carne também busca esclarecer a atuação da organização criminosa apontada como responsável pelo controle da comercialização de cigarros falsificados em grande parte dos municípios fluminenses. As investigações indicam que essed braço do grupo é chefiado por Poncio e teria estruturado um complexo sistema de lavagem de dinheiro, utilizando empresas, operadores financeiros e pessoas ligadas à contravenção para movimentar recursos ilícitos e, supostamente, manter relações com agentes públicos. A PF pretende agora rastrear o fluxo financeiro, identificar beneficiários e verificar a participação de eventuais intermediários no esquema.

A participação de Adilsinho no esquema é porque ele colocaria a capilaridade dos negócios ilícitos para a colocação no mercado dos cigarros da fábrica de Pôncio, além de ter uma parceria com o pastor empresário para a lavagem de dinheiro do crime. Bacellar e Marco Antonio seriam parte do braço político do esquema e ajudariam na proteção dos negócios ilícitos por meio de contatos nos legislativos estadual e  municipais, além das prefeituras. A compensação por esse serviço seriam recursos para campanhas eleitorais, a fim de que o grupo se mantivesse no poder.

Quem é quem

 

  • Adilson Oliveira Coutinho Filho ("Adilsinho") — Apontado como um bicheiro influente e chefe da nova cúpula do jogo do bicho fluminense. É considerado mpelos investigadores e adversários como um homem brutal e que se firmou à frente dos negócios por meio da violência. Sua base de atuação é a Baixada Fluminense, berço de sua família e onde estão localizadas as fábricas clandestinas do esquema de cigarros falsificados. Mas tem pontos em bairros das zonas Sul, Norte e Central do Rio de Janeiro, além da Região dos Lagos — tanto que sua captura ocorreu na casa que tem em Cabo Frio. Mas investigações da Polícia Federal apontam que seus negócios se estendeu por outros oito estados.
  • Rodrigo Bacellar Advogado e ex-deputado estadual, ganhou projeção ao presidir a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Foi alvo de mandado de prisão preventiva e teve sua transferência determinada para um presídio federal. A investigação mira o recebimento de recursos ilícitos e o uso de influência política para favorecer o crime organizado. Foi preso por ter ajudado o também ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, que seria o representante político do Comando Vermelho na Alerj.
  • Márcio Poncio Conhecido pastor evangélico e influente empresário do ramo do tabaco e de cigarros. O perfil empresarial de Poncio atrai os investigadores por suspeitas de envolvimento de suas atividades comerciais e financeiras com os esquemas de movimentação e lavagem de capitais do grupo criminoso de Adilsinho.
  • Marco Antônio Cabral Advogado, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro. A PF investiga sua suposta atuação em assessoria e interlocução política junto a prefeitos e vereadores, mapeando se houve trânsito de valores ilícitos

Mais Lidas