Soberania em disputa

Além do tarifaço: entenda defesa do Pix e Mercosul na resposta de Lula

Presidente criticou abertamente os ataques da família bolsonaro contra interesses nacionais, como o Pix e o Mercosul

No X, Lula afirma que o Brasil não vai abrir mão do Pix -  (crédito: Daniel RAMALHO / AFP)
No X, Lula afirma que o Brasil não vai abrir mão do Pix - (crédito: Daniel RAMALHO / AFP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o Pix e o Mercosul, nesta quinta-feira (2/7), classificando a atuação da família Bolsonaro junto à administração Trump como um “ataque” ao Brasil. “Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, escreveu. 

A postagem acontece após o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL - RJ) enviar uma solicitação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês)  pedindo o adiamento das tarifas impostas ao Brasil para depois das eleições, alegando que a iniciativa acabou fortalecendo o petista.

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 Sobre as críticas do governo dos Estados Unidos contra o Pix, que ganharam força após reuniões entre os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro com o presidente Donald Trump, Lula afirmou que o sistema de pagamento brasileiro não será entregue à interesses estrangeiros.

“O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele”, declarou. Em abril, um documento da Casa Branca apontou o Pix como uma prática que prejudica empresas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard

Lançado em 2020, o sistema de pagamento é disputado pela ala governista e pela oposição. No entanto, discussões do Brics sobre alternativas ao dólar americano e o avanço do Pix Internacional, em países como Argentina e Portugal, se tornaram motivo de preocupação para os EUA. 

Lula também reforçou a defesa do Mercosul, bloco sul-americano formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. “Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro”, afirmou. 

Relembre

Na terça-feira (30), o pré-candidato à presidência também se encontrou com o presidente argentino Javier Milei, que não compareceu à última cúpula do bloco

Recentemente, o Mercosul e a União Européia firmaram um acordo que estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O tratado entrou em vigor em maio e é o maior já firmado pelo bloco sul-americano.

Solicitação

No texto, Flávio afirma que a manutenção da sobretaxa pode produzir efeitos políticos no Brasil e beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual cenário eleitoral.

“As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que prejudicariam a economia americana e os próprios brasileiros, que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, escreveu.

O senador também se apresenta no documento como pré-candidato à Presidência da República e informa que se reuniu recentemente com o presidente americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar da política tarifária entre os dois países.

Em outro trecho, Flávio sustenta que a adoção das tarifas fortaleceria a estratégia do governo brasileiro diante do impasse comercial.

 

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postado em 02/07/2026 20:07 / atualizado em 02/07/2026 20:14
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