CONTROVÉRSIA

Institutos de pesquisa criticam proposta do TSE para criar 'selo'

Para as empresas, premiar acertos perto da eleição é "confundir ciência com bola de cristal", e pode incentivar institutos sem rigor metodológico. Nunes Marques propôs "selo de acurácia"

Em nota publicada nesta terça-feira (14/7), após reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) afirmou que a proposta de criação de um "selo de acurácia" para pesquisas eleitorais confunde "ciência com bola de cristal".

A minuta de uma resolução sobre a proposta foi distribuída para representantes de 16 entidades que fazem este tipo de levantamento. O selo seria dado para os institutos que mais acertarem nos sete dias antes da votação. 

Intenção de voto

Para a entidade, Nunes Marques confunde o que de fato é uma pesquisa eleitoral. "A proposta de criar um selo para premiar institutos de pesquisa que mais se aproximarem do resultado das urnas parte de uma premissa equivocada sobre o que é uma pesquisa eleitoral. Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado", destaca o comunicado. 

"Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa 'acerte' o resultado é confundir ciência com bola de cristal. A proposta também cria um incentivo perverso. Institutos sem rigor metodológico poderão simplesmente acompanhar as pesquisas dos institutos sérios e, na reta final da campanha, ajustar seus números para convergir ao consenso", ressalta o texto.

"Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de 'acerto', o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio. Isso enfraquece, em vez de fortalecer, a qualidade da informação oferecida ao eleitor", completa o texto divulgado pela entidade.

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