O recesso parlamentar começou sem que o Senado avançasse na discussão da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, uma das pautas que mais mobilizaram trabalhadores e movimentos sociais ao longo do primeiro semestre. A medida, aprovada pela Câmara dos Deputados, aguarda despacho para iniciar sua tramitação na Casa Alta e deve ficar para depois da pausa legislativa.
A proposta busca reduzir a jornada semanal de trabalho e pôr fim ao modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos para ter apenas um dia de descanso. Defensores da iniciativa argumentam que a mudança pode ampliar a qualidade de vida e o convívio familiar dos empregados. Já críticos apontam possíveis impactos para empresas e para determinados setores da economia.
Em entrevista ao Correio nesta sexta-feira (18/7), a deputada Erika Hilton (PSol-SP), uma das principais defensoras da proposta, afirmou que o atraso não está relacionado à falta de apoio popular, mas à resistência encontrada dentro do sistema político.
“Definitivamente, não falta vontade política para aprovar o fim da escala 6x1. Mas essa vontade está concentrada no povo, na classe trabalhadora, no Movimento VAT, no Rick Azevedo, no governo Lula e em mim.”
Para a parlamentar, a principal barreira à tramitação da matéria está na oposição de setores que historicamente resistem a mudanças nas relações de trabalho.
“A resistência é gigantesca. Esse país e suas elites dominantes, econômicas e políticas não estão habituados a ver o trabalhador como gente. A escravatura acabou, mas a mão de obra ainda é vista como uma propriedade dos bilionários e do grande empresariado. E essa resistência tem seus representantes no Congresso.”
A ausência de uma definição antes do recesso frustrou a expectativa de parlamentares da base governista que guardam avanços ainda em 2026. O tema ganhou força nos últimos meses com mobilizações em redes sociais, manifestações de sindicatos e campanhas organizadas por movimentos que defendem a redução da jornada de trabalho.
Apesar do adiamento, a deputada afirma que a estratégia será manter a pressão sobre o Congresso após a retomada das atividades legislativas.
“A nossa expectativa, após o recesso, é continuar lutando pra pautar e aprovar essa proposta no Senado.”
