Escala 6x1

Governo nega acordo e pressiona por votação da PEC do fim da escala 6x1

Segundo Boulos, o Executivo concentrará esforços no Congresso durante as duas semanas de atividade legislativa antes das eleições para tentar acelerar a análise da matéria

Guilherme Boulos afirmou que o governo não pretende aceitar novas alterações no conteúdo aprovado pela Câmara  -  (crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Guilherme Boulos afirmou que o governo não pretende aceitar novas alterações no conteúdo aprovado pela Câmara - (crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta sexta-feira (7/8) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não fecharam um acordo para destravar a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1. Apesar disso, o governo espera avançar nas negociações nas próximas semanas e mantém a proposta como sua principal prioridade legislativa neste segundo semestre.

Segundo Boulos, o Executivo concentrará esforços no Congresso Nacional durante as duas semanas de atividade legislativa antes das eleições para tentar acelerar a análise da matéria. O ministro também anunciou mobilizações organizadas por centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares em todas as capitais do país na próxima segunda-feira (10), em defesa da aprovação da PEC.

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A declaração ocorre poucos dias após o encontro entre Lula e Alcolumbre, realizado na noite da última terça-feira (4), durante um jantar promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A reunião marcou a retomada do diálogo entre os dois, após cerca de três meses e meio sem conversas.

Em entrevista coletiva concedida hoje, após reunião com representantes de entidades sindicais e movimentos sociais, em São Paulo, Boulos afirmou que a decisão de priorizar a proposta foi tomada em reunião ministerial e recebeu o aval do presidente da República. Segundo ele, embora o governo tenha outras pautas consideradas relevantes, o fim da escala 6x1 é o tema central da agenda legislativa neste momento.

A PEC está parada no Senado há pouco mais de dois meses, desde que foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados, em 27 de maio. O texto prevê a adoção imediata da escala de trabalho 5x2, reduz a jornada semanal de 44 para 42 horas e estabelece uma transição posterior para 40 horas semanais.

Boulos defendeu que a votação ocorra antes das eleições e afirmou que um eventual adiamento poderia abrir espaço para mudanças no texto, como a ampliação do período de transição, a criação de mecanismos de compensação para empregadores ou até a possibilidade de redução salarial. Na avaliação do ministro, parlamentares estariam mais pressionados a votar antes do pleito devido à repercussão do tema entre os trabalhadores.

O ministro também responsabilizou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por uma estratégia de postergar a votação para depois das eleições. Segundo Boulos, a expectativa do governo é que Davi Alcolumbre encaminhe a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para a escolha de um relator, etapa necessária antes da apreciação pelo plenário da Casa.

Por fim, Boulos afirmou que o governo não pretende aceitar novas alterações no conteúdo aprovado pela Câmara dos Deputados. De acordo com ele, o texto já representa um acordo construído durante a tramitação na Câmara, que definiu a redução inicial da jornada para 42 horas semanais e estabeleceu a transição para 40 horas.

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postado em 07/08/2026 15:55
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