caso Master

Defesa de Vorcaro tenta nova delação após duas propostas rejeitadas

Novo advogado do dono do Master se reunirá com ministro André Mendonça, do STF, para negociar informações por pena mais branda

Das vezes anteriores, a Polícia Federal não enxergou elementos que valessem a pena o fechamento de acordo de delação premiada com Vorcaro -  (crédito: Reprodução)
Das vezes anteriores, a Polícia Federal não enxergou elementos que valessem a pena o fechamento de acordo de delação premiada com Vorcaro - (crédito: Reprodução)

O advogado Daniel Bialski, que assumiu a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se reunirá com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos próximos dias. A expectativa é de que o ex-banqueiro tente fechar uma nova tentativa de firmar um acordo de delação premiada, recusada duas vezes. Bialski passou a defender o ex-executivo junto com o defensor Sergio Leonardo, que já estava no caso.

Na semana passada, em entrevista ao Correio, Bialski destacou que está avaliando as novas estratégias para a defesa do cliente. "Fomos recentemente contratados pelo Daniel Vorcaro para atuar, juntamente, com o dr. Sergio Leonardo e equipe, na defesa. Neste momento, ainda estamos estudando o inquérito e demais expedientes criminais instaurados para entender e escolher a melhor estratégia defensiva", salientou. Ele assume a defesa depois de o ex-banqueiro ter propostas de delação rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Bialski afirmou que conversará com Vorcaro nos próximos dias para avaliar o que já foi falado por ele em depoimento e o que ainda pode ser revelado. Caso a proposta de delação seja rejeitada pela terceira vez, a defesa pode pedir a anulação de provas, tendo em vista o vazamento de diversas informações sobre o inquérito.

Emaranhado

O magistrado é o relator no STF dos inquéritos relacionados ao Master. O primeiro inquérito, ligado à Operação Compliance Zero, que foi concluído, é o que investiga a compra de títulos podres pelo Banco de Brasília (BRB). De acordo com investigadores ouvidos pelo Correio, sob a condição de anonimato, as equipes policiais desvendaram o emaranhado de recursos envolvidos e a origem dos papéis fraudulentos.

O montante inicial envolvendo a compra de títulos imprestáveis pelo BRB, além do que foi movimentado por todo o esquema, surpreendeu os investigadores, que avaliaram que a fraude é muito maior do que se imaginava. A Operação Compliance Zero, que investiga o esquema do Master, foi dividida em várias etapas. Os prejuízos causados ao BRB estão presentes na primeira parte, em avaliação desde que o esquema criminoso foi descoberto.

As duas tentativas anteriores de Vorcaro de fechar um acordo de delação esbarraram na falta de informações que a PF considerava relevantes, que poderiam corroborar dados e fazer as apurações avançarem. Os investigadores consideraram não apenas o material insuficiente, mas tiveram a certeza de que o ex-banqueiro sonegava dados e protegia pessoas. A corporação teve acesso a sete celulares do executivo e a outros elementos recolhidos nas fases anteriores da operação. Isso serviu para desenhar o mosaico de como ocorriam as fraudes, quem são os envolvidos e a metodologia criminosa do grupo e de seus operadores.

Diante do material recolhido e os cruzamentos de informações realizados, investigadores avaliam como desnecessária a colaboração de Vorcaro e consideram que podem avançar sem a colaboração.

 


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postado em 12/08/2026 03:55
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