Operação Arena

Polícia Federal investiga advogado e bet por lavagem e evasão

Um dos alvos é a PixBet, que patrocinou grandes clubes brasileiros, como Flamengo e Corinthians. O outro é o jurista Nelson Wilians, que pela segunda vez em menos de um mês esteve entre os objetivos de uma incursão policial

Sede da PixBet fica em Campina Grande, na Paraíba. Empresa patrocinou clubes como Flamengo e Corinthians -  (crédito:  Policia Federal/Divulgação)
Sede da PixBet fica em Campina Grande, na Paraíba. Empresa patrocinou clubes como Flamengo e Corinthians - (crédito: Policia Federal/Divulgação)

A Polícia Federal (PF) deflagrou, ontem, a Operação Arena, que investiga um grupo empresarial suspeito de ocultar recursos obtidos com jogos de azar e apostas esportivas por meio de uma complexa estrutura financeira no Brasil e no exterior. Entre os alvos estava o advogado Nelson Wilians, em cuja residência foi cumprido mandado de busca e apreensão. A ação foi realizada em conjunto com a Receita Federal (RFB) e o Ministério Público Federal (MPF), e foi autorizada pela 4ª Vara Federal da Paraíba.

A ação de ontem é a segunda, em menos de um mês, a ter Wilians como um dos alvos. Em 15 de julho, autoridades cumpriram mandado de busca e apreensão na mansão do advogado e no escritório dele durante a Operação Distrato, conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP).

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A PixBet, empresa de apostas esportivas e jogos on-line controlada pelo empresário Ernildo Junior, também foi alvo. Está sob investigação na Paraíba — a sede é em Campina Grande — por suspeita de lavagem de dinheiro e apareceu na CPI do INSS em meio a suspeitas de vínculos entre a casa de apostas e envolvidos no esquema de descontos ilegais em aposentadorias. A PixBet patrocinou grandes clubes brasileiros, como Flamengo e Corinthians.

Wilians mantém vínculos profissionais e empresariais com o grupo ligado à PixBet. O advogado atua para a casa de apostas e para Ernildo Junior. Wilians também foi sócio de Fernando Cavalcanti, investigado no esquema de descontos ilegais do INSS. Cavalcanti, por sua vez, comandou uma fintech em parceria com Ernildo, o XBank Digital, que também teve Wilians como sócio.

A defesa de Nelson Wilians informou que "a relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia" e que "a atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas".

A Operação Arena aponta que empresas constituídas fora do país podem ter sido usadas para criar a aparência de que as atividades eram administradas no exterior. Os investigadores, porém, suspeitam que a condução operacional, administrativa e as principais decisões permaneciam em território brasileiro. Segundo a RFB, companhias estrangeiras teriam servido de justificativa para remessas expressivas de dinheiro ao exterior, embora não tenham sido identificadas atividades econômicas compatíveis com o volume de recursos movimentado.

Os investigadores também identificaram indícios de uma rede que envolveria empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais. A combinação desses mecanismos teria dificultado o rastreamento da origem e do destino dos valores. A apuração ainda levanta suspeitas de omissão de rendimentos e de uso irregular de estruturas empresariais para diminuir ou escapar da tributação.

Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, além de medidas para acesso a dados bancários e telemáticos dos investigados. A Justiça determinou, também, o sequestro de patrimônio e valores de até R$ 1,1 bilhão. As ações ocorreram na Paraíba, em São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

Operação Distrato

Wilians fora um dos alvos da Operação Distrato. A investigação, que reuniu Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Ministério Público e Procuradoria-Geral do estado, com apoio das polícias Civil e Militar, apura um suposto esquema de comercialização irregular de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Segundo o MP-SP, um dos núcleos investigados teria ligação com o grupo econômico de Wilians.

De acordo com a apuração, escritórios de advocacia e empresas de consultoria teriam oferecido a companhias créditos tributários sem respaldo legal, apresentados como alternativas de planejamento tributário para reduzir indevidamente o pagamento de ICMS. A Secretaria da Fazenda paulista calcula que o esquema tenha resultado na constituição de mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários contra 752 empresas.

Na operação de julho, foram cumpridas 38 ordens de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé. Na ocasião, a defesa de Wilians afirmou que o escritório recebeu a medida com "serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo".

 

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postado em 14/08/2026 03:55
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