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Janja amplia participação na organização da campanha de Lula

Primeira-dama terá agenda própria nos estados, com reuniões, mobilização feminina e participação em decisões sobre eventos

Janja no lançamento da campanha, no domingo -  (crédito: Ricardo Stuckert)
Janja no lançamento da campanha, no domingo - (crédito: Ricardo Stuckert)

A primeira-dama Janja Lula da Silva tem ampliado sua participação na organização da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de não ocupar formalmente um cargo na estrutura eleitoral. Integrada a discussões estratégicas, ela frequenta reuniões na sede nacional do partido, em Brasília, e mantém interlocução com o presidente da legenda, Edinho Silva, e com o marqueteiro Raul Rabelo.

O papel de Janja foi detalhado por Edinho, nessa terça-feira, em conversa com jornalistas. Segundo o dirigente, a participação da primeira-dama será permanente durante a campanha e deverá incluir uma agenda própria nos estados. "Ela participa, claro que ela tem a agenda dela. Já viajou por diversos estados, tem feito diversas reuniões, organizando as mulheres", explicou.

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A atuação de Janja não se limita à mobilização feminina. Segundo as informações do dirigente petista, a primeira-dama participa de decisões relacionadas aos atos políticos, como a escolha de convidados e a preparação de homenagens. Na prática, passa a ocupar um espaço relevante na organização da campanha, ainda que sem uma função oficialmente definida no organograma eleitoral.

A estratégia prevê que Janja tenha uma agenda paralela à de Lula em diferentes estados, com foco, principalmente, na mobilização de mulheres. A atuação amplia o protagonismo político da primeira-dama em um momento em que o PT estrutura as atividades para a disputa presidencial.

Atritos

Para Márcio Coimbra — CEO da Casa Política e ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado —, a configuração levanta questionamentos sobre a governança da campanha. "Sob a ótica da teoria das organizações partidárias e do gerenciamento de campanhas, a atuação de Janja da Silva na corrida presidencial expõe uma disfunção estrutural clássica: a sobreposição do poder informal às cadeias formais de decisão", afirmou Coimbra.

Segundo o analista, a indefinição sobre o papel da primeira-dama pode gerar atritos com a estrutura partidária e com os profissionais responsáveis pela comunicação eleitoral.

Coimbra também avaliou que o protagonismo de Janja pode ter efeitos sobre a estratégia de ampliação do eleitorado. Para ele, a trajetória da primeira-dama como militante histórica do PT e sua atuação concentrada na mobilização interna e na pauta feminina fortalecem a conexão com a base partidária, mas podem dificultar a aproximação com eleitores moderados e indecisos. "O papel tradicional dos cônjuges costuma ser o de suavizar a imagem do candidato e ampliar sua aceitação para além da bolha partidária", disse.

O especialista também chama atenção para os efeitos da autonomia de Janja na comunicação da campanha. Na avaliação dele, a existência de agendas paralelas e sua participação na estrutura do comitê aumentam a exposição da candidatura a críticas de adversários relacionadas à suposta mistura entre as esferas pública e privada. "A autonomia decisória de Janja representa um vetor constante de vulnerabilidade estratégica", frisou Coimbra.

Em seu perfil no Instagram, Janja se define como "petista de carteirinha desde 83". Segundo o próprio relato, ingressou no partido no início dos anos 1980, por meio do movimento estudantil, quando cursava sociologia.

Na década de 1990, trabalhou como assessora do PT na Assembleia Legislativa do Paraná. A trajetória partidária ajuda a explicar a proximidade que mantém com a legenda e, atualmente, com os responsáveis pela organização da campanha presidencial.

 

 

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postado em 19/08/2026 03:55
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