
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) criticou, nesta terça-feira (18/8), o atual desenho da disputa eleitoral. Ele também afirmou que o cenário político teria sido construído para levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a enfrentar Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. As afirmações foram feitas durante evento com presidenciáveis promovido pela Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios (FPN).
Segundo Renan, a configuração das eleições favorece a reeleição de Lula ao colocar no caminho do petista um adversário que classifica como “fraco”. Ao comentar o cenário, o candidato do Missão também associou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a denúncias de corrupção.
“É um momento em que o desenho político institucional para essas eleições foi construído de modo a fazer com que Lula vá para a reeleição, enfrente a um candidato fraco como Flávio Bolsonaro, eivado de escândalos de corrupção, vença ele no segundo turno e tudo continue caminhando de lado como caranguejo”, afirmou.
Na avaliação de Renan Santos, esse cenário contribuiria para a manutenção de um quadro de estagnação no país. Ele criticou o que considera uma postura de resignação da sociedade diante de problemas políticos, econômicos e sociais.
O candidato também ampliou as críticas ao campo político associado ao bolsonarismo. Ao abordar o discurso nacionalista do grupo, afirmou que o movimento teria se apropriado dos símbolos nacionais, mas que o Brasil defendido por seus integrantes não corresponderia ao país que existe atualmente. “O bolsonarismo que se apropria das nossas cores. Ele ama um Brasil que sequer existe”, declarou.
Renan afirmou ainda que sua candidatura pretende se diferenciar da polarização entre lulismo e bolsonarismo. Segundo ele, as novas gerações estariam menos vinculadas à disputa entre os dois grupos políticos tradicionais. “Ser Lula ou Bolsonaro não significa nada. É um conjunto vazio”, disse.
Experiência negativa
Para o candidato, jovens que viveram os governos de Lula e Bolsonaro teriam acumulado uma experiência negativa com o país e buscariam uma alternativa política. Renan apresentou esse movimento como uma das bases de sua candidatura e defendeu que seu grupo deixe de atuar apenas pela oposição a outros campos políticos.
Ao criticar a estratégia de setores que se definem pelo antipetismo, Renan afirmou que a oposição permanente ao PT acaba mantendo o partido como centro do debate político. “Se você definir como negação o PT, você está afirmando o PT”, afirmou.
O candidato defendeu, em contraposição, uma atuação política baseada na apresentação de propostas e de um projeto de futuro para o país. Entre os temas citados durante sua fala, mencionou reformas fiscais e previdenciárias, mudanças nas regras orçamentárias, segurança pública, desfavelização, reindustrialização e aumento da atividade econômica.
Renan também afirmou que sua campanha pretende mobilizar principalmente os mais jovens em torno de uma perspectiva otimista para o Brasil. O slogan apresentado por ele é “o futuro é glorioso”.
Ao longo do discurso, o candidato voltou a defender que a política brasileira abandone a lógica de se organizar exclusivamente em torno da rejeição a adversários. Para Renan, a construção de uma alternativa política passa pela apresentação de ideias afirmativas e por uma visão de longo prazo para o país.

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