
Senadores que assinaram a PEC 12/2026, proposta pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha do primogênito de Jair Bolsonaro, como alternativa à redução da jornada de trabalho, propondo uma escala 7x0, aparecem entre os nomes competitivos na disputa pelas duas vagas ao Senado em pelo menos quatro estados pesquisados recentemente pela Quaest. A previsão do Congresso é que a pauta relatada por Omar Azis (PSD-AM) seja votada nesta quarta-feira (2/9).
Os levantamentos mais recentes mostram, porém, que nenhum deles lidera isoladamente a corrida. Carlos Viana (PSD-MG), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Zequinha Marinho (Podemos-PA) e Carlos Portinho (PL-RJ) aparecem em diferentes posições, mas permanecem na disputa por uma das duas cadeiras que estarão em jogo em outubro.
A PEC 12/2026 altera o artigo 7º da Constituição para permitir que empregados optem pelo regime comum previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou por um modelo flexível baseado nas horas trabalhadas. Nesse segundo caso, a remuneração, assim como benefícios como férias, 13º salário e FGTS, seria proporcional às horas trabalhadas. O contrato individual também prevaleceria sobre eventuais acordos coletivos.
Apresentada por Marinho em 28 de maio, a proposta reuniu 40 senadores entre os autores e foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde ainda aguarda a designação de relator.
O texto surgiu um dia após a Câmara aprovar a PEC 221/2019, que reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal e garante dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. A proposta do fim da escala 6x1 está atualmente na CCJ do Senado e recebeu parecer favorável do relator, Omar Aziz (PSD-AM), na quinta-feira (27/8).
A iniciativa de Marinho, por outro lado, é criticada por entidades sindicais e movimentos de trabalhadores, que avaliam que a flexibilização pode abrir espaço para jornadas sem a garantia de descanso nos moldes atuais. O cenário passou a ser chamado pelos opositores da proposta de "escala 7x0".
Signatários da PEC alternativa à 6x1 na disputa pelo Senado
Senadores que apoiaram a PEC 12/2026 aparecem competitivos nas pesquisas, mas nenhum lidera isoladamente a corrida nos quatro estados analisados.
Minas Gerais
Goiás
Pará
Rio de Janeiro
Minas Gerais
Em Minas Gerais, Carlos Viana é um dos signatários da PEC que tenta a reeleição. Na Quaest divulgada em 25 de agosto, o senador aparece com 8% das intenções de voto, mesmo percentual de Domingos Sávio (PL). Marília Campos (PT) lidera numericamente, com 15%, enquanto Marcelo Aro (PP) registra 6%.
A margem de erro é de dois pontos percentuais. Viana, portanto, está tecnicamente empatado com Domingos Sávio e Marcelo Aro na disputa por uma das cadeiras. O levantamento ouviu 1.506 eleitores entre 19 e 25 de agosto.
Outro signatário mineiro, Cleitinho (Republicanos), não está na corrida pelo Senado. Eleito em 2022 e com mandato até 2031, ele disputa o governo de Minas Gerais.
Goiás
Em Goiás, Vanderlan Cardoso também aparece entre os candidatos competitivos. A Quaest divulgada em 27 de agosto mostra Gracinha Caiado (União Brasil) numericamente na liderança, com 21%, seguida por Gustavo Gayer (PL), com 12%.
Vanderlan e Zacharias Calil (MDB) aparecem com 9% cada. Gustavo Mendanha (PRD) registra 6%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Gayer, Vanderlan e Calil estão tecnicamente empatados.
A pesquisa ouviu 804 eleitores entre 23 e 26 de agosto. O resultado mantém Vanderlan no grupo que disputa principalmente a segunda cadeira pelo estado.
Pará
No Pará, Zequinha Marinho também está entre os nomes competitivos. O senador aparece atrás do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e do deputado federal Éder Mauro (PL) na pesquisa mais recente.
Helder lidera numericamente, enquanto Éder Mauro aparece em segundo. Zequinha, porém, permanece próximo do candidato do PL e, considerada a margem de erro do levantamento, está na disputa pela segunda cadeira paraense.
O resultado mantém o senador entre os signatários da PEC 12/2026 com chances de permanecer na Casa por mais oito anos.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, Carlos Portinho aparece com 5% das intenções de voto na Quaest divulgada em 25 de agosto. Benedita da Silva (PT) registra 10%, Carlos Jordy (PL), 7%, e Marcelo Crivella (Republicanos), 6%. Mônica Benício (PSOL) tem os mesmos 5% de Portinho.
Com margem de erro de três pontos percentuais, Benedita, Jordy, Crivella, Mônica e Portinho estão tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 21 e 24 de agosto.
O cenário também permanece bastante indefinido. Na pesquisa estimulada, 29% não souberam ou não responderam em quem pretendem votar, enquanto 28% disseram que votariam branco, nulo ou em nenhum dos candidatos.
E os demais signatários?
Nem todos os 40 senadores que aparecem como autores da PEC 12/2026 disputam a reeleição neste ano. Parte deles foi eleita em 2022 e tem mandato até 2031. É o caso de Damares Alves (Republicanos-DF), Magno Malta (PL-ES), Wilder Morais (PL-GO), Tereza Cristina (PP-MS) e Efraim Filho (PL-PB).
Outros decidiram disputar cargos diferentes. Além de Cleitinho, Sergio Moro (PL-PR) é outro exemplo. Eleito senador em 2022, ele concorre ao governo do Paraná e, portanto, não participa da disputa pelas duas vagas do estado na Câmara Alta.
O mesmo cuidado vale para outros parlamentares que assinaram a PEC, mas concorrem a governos estaduais ou possuem mandato no Senado até 2031.
Entre os estados analisados, Carlos Viana, Vanderlan Cardoso, Zequinha Marinho e Carlos Portinho são signatários da PEC 12/2026 que aparecem competitivos nas respectivas disputas ao Senado. Nenhum deles, entretanto, ocupa isoladamente a liderança dos levantamentos mais recentes.

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