A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse que anunciará na convenção do PL em Brasília, nesse domingo, se concorrerá ao Senado. Já o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que a candidatura dela dependerá de decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
"Estou presa com meu marido. Estou conversando com ele, mas a gente deve definir até domingo. Aí, devo me pronunciar na convenção. Mas há uma expectativa também do presidente, do nosso grupo, do nosso movimento PL Mulher", disse Michelle, nessa sexta-feira, após reunião e gravações de vídeos com Costa Neto e com a deputada federal Bia Kicis (PL), em uma confeitaria próximo ao condomínio onde mora.
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Ao deixar o estabelecimento, o presidente do PL deixou claro que Bolsonaro seria o responsável pela decisão da candidatura da mulher. "Quem vai decidir é o Bolsonaro se ela sai de candidata ou não, porque ela está com ele, cuidando dele. Ela tem esse problema pela frente, é muito difícil fazer campanha", frisou. "Então, ela me falou que vai conversar com ele e tomará a decisão até domingo."
Já Michelle, que foi embora depois, destacou que a assistência ao marido é prioridade. "Não posso contar com ninguém." Ao ser questionada sobre se conversa com o ex-presidente a respeito de questões políticas, respondeu que o diálogo é limitado. "Tenho que manter um ar tranquilo para ele. O soluço é um resultado dessa tensão. Tento proporcionar um lar mais tranquilo", argumentou. Ela acrescentou que o marido tem passado bem e que o soluço deu uma trégua.
Disputas
O PL projeta eleger uma bancada de 28 senadores neste ano, como destacou Costa Neto. A meta, segundo ele, inclui os oito parlamentares da legenda que ainda têm quatro anos de mandato.
O dirigente informou ainda que Michelle não pretende retornar ao comando do PL Mulher, cargo que deixou em junho. Segundo ele, a estrutura da ala feminina passará a funcionar sem uma presidência nacional, e a articulação com as direções estaduais ficará sob responsabilidade de Ana Munhoz, assessora da ex-primeira-dama.
A convenção deve marcar o reencontro de Michelle com Flávio, após a crise que envolveu os dois recentemente. A ex-primeira-dama acusou, em vídeos postados nas redes sociais, que o enteado a humilhou e a desrespeitou por causa do apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará.
No dia seguinte, Flávio divulgou um vídeo defendendo sua posição, negando qualquer desrespeito à ex-primeira-dama e afirmando que divergências internas não deveriam ser transformadas em disputas públicas.
Desde então, dirigentes do PL passaram a atuar para conter o desgaste político. A avaliação era de que o prolongamento do conflito poderia comprometer a campanha presidencial, sobretudo entre o eleitorado evangélico e feminino, segmentos nos quais Michelle exerce forte influência, e no qual Flávio tenta ser aceito.
Na semana passada, o senador, também pela internet, pediu desculpas à madrasta e a chamou para "caminhar" com ele na campanha à Presidência. Novamente pela internet, ela disse que o desculpava.
No domingo, na convenção nacional do PL, em São Paulo, a ex-primeira-dama não participou presencialmente, sob a justificativa de que estaria cuidando do marido, mas enviou uma mensagem em vídeo declarando apoio à candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.
A avaliação de dirigentes da legenda é de que a imagem de Michelle ao lado de Flávio, nesse domingo, representará o encerramento de um dos episódios mais delicados da pré-campanha presidencial e ajudará a consolidar um discurso de união.
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