A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou, para 8 de setembro, o principal julgamento envolvendo o Banco Master e a família Vorcaro, que inclui o ex-controlador da empresa Daniel Vorcaro, preso em Brasília acusado de operar um megaesquema de corrupção. O caso está na Comissão desde 2020 e entra em pauta após anos de atraso e diversos pedidos de vista, ou seja, de mais tempo para analisar o processo.
O processo envolve suposta fraude na emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. Em 2022, teve início uma negociação para definir termos de compromisso, em que os acusados aceitaram pagar uma multa para evitar condenação. No entanto, o processo foi retirado de pauta. Em 2025, em uma nova tentativa de votar, o então diretor e relator Otto Lobo pediu vista. Em maio daquele ano, o processo entrou na pauta e teve o julgamento iniciado, mas após receber dois votos pela rejeição do Termos de Compromisso, do então presidente João Pedro Nascimento e da diretora Marina Copola, o diretor João Accioly apresentou um novo pedido de vistas.
Na época em que o julgamento entrou em pauta e ocorreram os pedidos de vista, Daniel Vorcaro tentava vender o Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). O negócio chegou a ser aprovado pelas autoridades do Distrito Federal, mas foi barrado pelo Banco Central. Nos meses seguintes, ocorreu a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que revelou que o BRB comprou bilhões em títulos podres do Master, além de trazer a tona um emaranhado criminoso, envolvendo autoridades do alto escalão, para fraudes os cofres públicos, lavar dinheiro e cometer crimes fiscais.
Em 2 de dezembro do ano passado, semanas após a liquidação do Master, o Termo de Compromisso foi rejeitado. Agora falta julgar supostas fraudes apuradas pela Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), que teriam ocorrido entre 2018 e 2019, quando Vorcaro tentou aumentar seu patrimônio para demonstrar capacidade de assumir o Master. As irregularidades teriam ocorrido na3ª emissão de cotas do Brazil Realty FII.
A Superintendência identificou problemas nos ativos utilizados para integralização das cotas e, posteriormente, na negociação dessas cotas no mercado secundário. Ao todo, 19 pessoas são investigadas no processo, entre eles Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, o próprio Daniel, e Felipe Vorcaro, primo do dono do Master.
