Judiciário

Novo corregedor do CNJ defende Judiciário mais acessível e eficaz

Ao assumir o cargo, o ministro Benedito Gonçalves afirmou que pretende dar continuidade às políticas implementadas por seu antecessor

Empossado como novo corregedor nacional de Justiça, o ministro Benedito Gonçalves defendeu uma atuação da Corregedoria Nacional que vá além da fiscalização de procedimentos e da análise de números. Segundo ele, o órgão deve contribuir para tornar o Judiciário mais acessível, eficiente e alinhado às necessidades da sociedade.

Ao assumir a função, Gonçalves destacou a responsabilidade de ocupar o cargo após mais de cinco décadas de serviço público e 38 anos de magistratura. O ministro afirmou que exercerá a missão com “equilíbrio, prudência, coragem e dedicação integral ao interesse público”.

“Mais do que fiscalizar procedimentos e examinar números, cabe à Corregedoria contribuir para que a Justiça seja acessível e eficaz e verdadeiramente comprometida com a sociedade”, disse.

Criado pela Emenda Constitucional 45, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) passou a exercer funções de controle e gestão do Judiciário, incluindo a atuação da Corregedoria Nacional. Segundo Gonçalves, o exercício da função deve levar em consideração a realidade de quem recorre à Justiça.

O ministro também afirmou que pretende dar continuidade às políticas implementadas por seu antecessor, destacando o compromisso institucional e a valorização da autonomia e da independência dos magistrados. “Assumo o compromisso de dar continuidade às políticas que produziram resultados relevantes, sem deixar de enfrentar as novas demandas impostas ao nosso Poder Judiciário”, declarou.

Desafio dos processos

Gonçalves chamou atenção para a dimensão do Judiciário brasileiro e para o volume de processos em tramitação. Segundo o dado apresentado por ele a partir do relatório Justiça em Números deste ano, o Judiciário encerrou 2025 com mais de 75 milhões de processos.

O ministro também ressaltou a quantidade de magistrados em relação à população brasileira. De acordo com os números citados no discurso, o país possui 8,9 juízes para cada 100 mil habitantes, menos da metade da média de 18 magistrados registrada nos países europeus.

Para Gonçalves, entretanto, os números representam problemas concretos para quem procura o sistema de Justiça. “Para a sociedade, não é apenas mais um número, é o problema mais importante de sua vida”, afirmou.

Na avaliação do novo corregedor, quem recorre ao Judiciário espera que a resposta venha em tempo razoável e que o cidadão seja tratado com dignidade durante o processo. “Quem procura a justiça espera uma decisão em tempo razoável, tratamento digno, previsibilidade e a certeza de que será ouvido por uma instituição séria e acessível”, disse.

“O poder público existe para servir”

Durante o discurso, Gonçalves também resgatou uma declaração atribuída ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, feita durante um seminário. Segundo o ministro, a frase resume uma premissa que deve orientar o exercício da função pública. “O poder público, incluído aí o sistema de justiça, existe para servir e não para ser servido.”

Foi com base nessa ideia que Gonçalves afirmou receber a missão de comandar a Corregedoria Nacional de Justiça. O ministro disse ter consciência da responsabilidade envolvida no cargo e defendeu que o exercício da autoridade seja marcado pelo equilíbrio e pela prudência.

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