
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que o Congresso Nacional é “covarde” por não tomar providências diante do caso envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na última terça-feira (1º/9), o vice-presidente do STF, André Mendonça, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro dias antes da prisão do banqueiro.
Kataguiri conversou com os jornalistas Denise Rothenburg e Carlos Alexandre de Souza nesta quarta-feira (2), durante o programa CB.Poder, uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
De acordo com o deputado, a atitude passiva do Congresso se deve, principalmente, à relação do Banco Master com grande parte do Parlamento. As investigações da Operação Compliance Zero revelaram que o senador e presidente do PP no Senado, Ciro Nogueira, mantinha contato próximo com Vorcaro e realizava viagens ao exterior custeadas pelo banqueiro.
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“Infelizmente, o Congresso não fará absolutamente nada, porque é um Congresso covarde. Trata-se de um Parlamento que, além de covarde, em grande parte está envolvido no escândalo do Banco Master”, avaliou Kataguiri.
O deputado comentou ainda a reação do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), ao caso. Nesta terça-feira, Alcolumbre disse que “não deve achar nada” sobre as mensagens.
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“Acredito que a única saída seja o ministro André Mendonça levar esse caso ao plenário na próxima semana. É uma situação desesperadora e inédita. Eu sempre mantive um tom muito duro em relação ao Supremo”, declarou o parlamentar.
Kataguiri lembra que o Movimento Brasil Livre (MBL) foi um dos primeiros a pedir o impeachment de um ministro da Suprema Corte. “Há um consenso de que existe um abuso evidente. Não se trata mais de discordar de uma decisão judicial ou de debater uma divergência ideológica, discussões que fazem parte do jogo democrático. Estamos falando de envolvimento com roubo, o que deve ser consensual, pois não é uma questão ideológica”, apontou.
Segundo o deputado, mesmo diante de um escândalo de corrupção, a população continua passiva. Ele entende que o país “está anestesiado e sem esperança”.
“Ninguém deveria trabalhar hoje; todos deveriam estar nas ruas. As portas do Supremo deveriam estar bloqueadas, impedindo a locomoção física de qualquer pessoa no Congresso ou na Suprema Corte. Tudo deveria estar paralisado até que Alexandre de Moraes estivesse preso. Essa seria a resposta de uma nação civilizada. No entanto, enquanto o povo permanecer passivo, a classe política, o Supremo e os banqueiros corruptos continuarão avançando e abusando do poder”, analisou.
Assista a entrevista na íntegra:
*Estagiária sob a supervisão de Rafaela Gonçalves
