
Em um ano eleitoral, oito cardeais e arcebispos da Igreja Católica se reuniram, na noite desta quarta-feira (2/9), em Brasília, para discutir o papel dos cristãos na política e os desafios da democracia. Ao longo do encontro, transmitido pela Redevida e outras emissoras católicas, os religiosos defenderam que o eleitor olhe além dos próprios interesses e escolha candidatos comprometidos com o bem comum.
O cardeal de Brasília, Dom Paulo César Costa, afirmou que o conceito não pode ficar restrito ao campo abstrato. Para ele, o bem comum se traduz em questões concretas, como acesso à educação, saúde, moradia, trabalho e segurança. “O político percebe que o centro da política é o bem comum”, afirmou.
A solidariedade social também apareceu como um dos principais critérios para a escolha dos candidatos. Os cardeais alertaram que o voto tem consequências e defenderam que o eleitor analise as propostas, a trajetória e as prioridades de quem disputa um cargo. “Nosso voto tem consequências, portanto a gente deve pensar”, destacou Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal de São Paulo.
Os religiosos também abordaram a crise das democracias, marcada, segundo eles, pela polarização, pela radicalização dos discursos, pela desinformação e pela perda de confiança nas instituições. Dom Jaime Spengler, de Porto Alegre, afirmou que a democracia está longe de ser perfeita, mas depende da participação da sociedade. “A participação democrática é isso; não é um regime perfeito, mas é um regime que busca aquilo que é o melhor mediante uma grande participação social”.
Outro ponto levantado durante o debate foi a relação entre a ordem social e a ordem moral. Para Dom Odilo, a atividade política não pode se afastar de princípios éticos. “Não se pode fazer política com imoralidade, com corrupção”, afirmou. Os cardeais defenderam ainda que o respeito à dignidade humana, a justiça social, o combate à desigualdade e a valorização do trabalho estejam no centro das decisões políticas.
Ao explicar por que a Igreja Católica participa do debate político, Dom Odilo disse que a instituição não atua como partido nem indica candidatos, mas busca contribuir para a construção da sociedade. “A Igreja fala de política” porque essa é “uma forma de participar da construção da sociedade, recordando os grandes princípios que devem nortear a vida social”, afirmou.
Ao fim do encontro, a mensagem que atravessou as falas foi a defesa de uma sociedade “mais justa, uma sociedade integrada e integradora”. Para os cardeais, o desafio do período eleitoral é transformar princípios como solidariedade, fraternidade e bem comum em critérios concretos na hora de escolher quem ocupará os espaços de poder.

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