CRISE

O fogo amigo que Jorge Messias enfrenta dentro do governo

O desgaste ocorre em meio ao acirramento das tensões entre integrantes do governo e setores do Judiciário

Jorge Messias foi rejeitado pelo Senado por 42 votos a 34 para ocupar vaga no STF -  (crédito: Ed Alves CB/DA Press.)
Jorge Messias foi rejeitado pelo Senado por 42 votos a 34 para ocupar vaga no STF - (crédito: Ed Alves CB/DA Press.)

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, enfrenta um movimento de fogo amigo dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O chefe da AGU é visto por alguns auxiliares do petista como um aliado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que está no centro de uma crise interna na Corte. Nas palavras de um interlocutor com amplo trânsito na administração Lula, há a percepção de que Mendonça estaria utilizando o tribunal para fazer política contra adversários do atual chefe do Executivo.

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Um líder do Legislativo também sinalizou ao Correio que há insatisfação com a atuação de Messias diante das investigações que alcançaram Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. A avaliação desse grupo é de que faltou uma reação mais incisiva da AGU diante do avanço das apurações dentro da Polícia Federal.

Segundo relatos repassados à reportagem, até o momento não teriam sido apresentados indícios concretos de envolvimento direto do empresário Fábio Luís nos supostos escândalos citados nas investigações.

Em nota divulgada ontem (6/9), Messias reagiu às críticas sobre seus recentes posicionamentos institucionais e afirmou que sua atuação à frente da AGU segue critérios técnicos. Sem mencionar diretamente as cobranças, o ministro ressaltou que “questões de Estado devem ser tratadas à altura dos mandamentos constitucionais, com impessoalidade, fundamento técnico e transparência”.

Messias também rechaçou a possibilidade de relações pessoais interferirem nas decisões tomadas no exercício do cargo. “A função pública jamais deve se orientar por amizades, afinidades ou circunstâncias pessoais, mas pela Constituição e pelas regras da República”, afirmou. O advogado-geral acrescentou ter o respaldo de Lula para exercer suas atribuições “com independência técnica, rigor jurídico e absoluta fidelidade à Constituição”.

O desgaste ocorre em meio ao acirramento das tensões entre integrantes do governo e setores do Judiciário. Nos últimos dias, a crise envolvendo Mendonça e Alexandre de Moraes ganhou novos contornos e provocou movimentações dentro do próprio Supremo. Na sexta-feira (4/9), o presidente da Corte, Edson Fachin, retirou do inquérito das fake news um pedido de investigação relacionado a Mendonça.

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AH
postado em 07/09/2026 13:57 / atualizado em 07/09/2026 13:58
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