Entrevista | samara martins | candidata à Presidência pela Unidade Popular

"Bolsa banqueiro quebra o Brasil", diz Samara Martins

Presidenciável defende programas de transferência de renda e critica destinação de parte do Orçamento ao pagamento de juros e amortização da dívida pública. Por conta da crise do STF, considera que magistrados devem ser eleitos por voto direto

 08/09/2026. Ed Alves/CB/D.A Press. Politica. Sabatina Samara Martins.  -  (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press)
08/09/2026. Ed Alves/CB/D.A Press. Politica. Sabatina Samara Martins. - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A candidata à Presidência da República pela Unidade Popular (UP), Samara Martins, considera que é o bolsa banqueiro e não os programas de transferência de renda, conforme acusam alguns dos presidenciáveis do espectro da direita, que impactam as contas públicas do país. Cirurgiã-dentista e servidora do Sistema Único de Saúde (SUS), ela relacionou a destinação de recursos para juros e amortizações da dívida à redução de investimentos em áreas sociais.

Samara citou o pagamento da dívida pública como um dos principais destinos do Orçamento federal. Segundo ela, cerca de R$ 1,8 trilhão são destinados aos juros e amortizações. Como proposta de governo, defendeu um escrutínio das contas públicas por meio de uma "auditoria cidadã" da dívida pública e a suspensão dos pagamentos.

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A propósito da grave crise na qual o Supremo Tribunal Federal (STF) mergulhou, Samara defendeu na sabatina realizada ontem pelo Correio Braziliense, no estúdio da TV Brasília, às jornalistas Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, que a escolha de juízes seja feita por eleição popular direta. Ela observa que o critério de escolha do presidente da República, com posterior aprovação do Senado, restringe o processo e afasta a população do processo.

A sabatina do Correio acontece em parceria com Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), Febrafipe (Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais), Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) e Fenat (Federação Nacional dos Auditores Fiscais Tributários). Leia a entrevista completa a seguir.

Seu programa de governo tem a estatização de todos os bancos e, também, das empresas que foram privatizadas — como, por exemplo, a Vale. Como fazer isso, uma vez que sabemos que o orçamento público enfrenta dificuldades e o governo não tem recursos nem para realizar o básico em saúde, educação e segurança pública? Como colocar toda essa despesa no caixa da União?

Apesar de dizerem que o país não tem dinheiro para a educação, para a saúde e para as áreas sociais, nós somos um país extremamente rico, a 10ª economia do mundo. No entanto, nosso povo vive empobrecido e as áreas sociais têm perdido cada vez mais verba. Sou servidora do Sistema Único de Saúde e o SUS perdeu recursos nesses últimos 10 anos, que chegam a mais de 60%. Isso ocorre não porque o Brasil não tenha dinheiro, mas porque metade desse orçamento é destinado ao pagamento da dívida pública, o que chamamos de bolsa banqueiro. Vai R$ 1,8 trilhão do nosso orçamento riquíssimo para pagar os juros e as amortizações da dívida pública. Uma de nossas propostas centrais é que se faça uma auditoria cidadã e que se suspenda o pagamento da dívida pública. Sobre a necessidade da reestatização de empresas que foram privatizadas e, também, da nacionalização de outros recursos extremamente importantes para a soberania do nosso país. Ontem (segunda-feira) comemoramos a Independência do Brasil, mas não dá para ser um país independente e soberano se o controle das nossas riquezas e de recursos estratégicos está na mão do setor privado ou de empresas estrangeiras. Por isso, defendemos a nacionalização do petróleo, com a Petrobras sendo 100% estatal, a reestatização da Vale e do minério de ferro, além das próprias empresas estaduais que têm sido privatizadas, como as companhias de água e de luz. Apesar de parecer que privatização traz melhoria no serviço, o que temos visto é a piora dos serviços e a precarização do trabalho dos profissionais que atuam nessas empresas. Portanto, privatizar não é a solução. Primeiro porque, quando uma empresa é privatizada, o que ela busca é o lucro, e não o melhor serviço destinado à população, querendo cada ano mais lucro. Nós defendemos que o controle de questões tão importantes para o nosso povo — como a água, a luz e esses setores estratégicos — esteja nas mãos do Estado, para que sirva ao benefício e ao desenvolvimento da nossa população, e não ao lucro de apenas alguns setores.

Como mobilizar a população em torno desses temas? Muitas vezes, as pessoas estão incomodadas em casa, mas não entendem ou não concordam com esse ponto de vista.

Diante disso, e considerando as pesquisas, referendos e plebiscitos que mostram que a população brasileira já se opõe a esse ponto, precisamos chegar até as pessoas e mostrar que é possível. Como representantes parlamentares — seja nas assembleias legislativas, na Câmara dos Deputados, no Senado ou na Presidência —, nosso papel é dizer: "É possível fazer, vamos nos somar nessa disputa e pressionar". Sem pressão popular, não conseguiremos resolver nada. Há outros exemplos. Quiseram aprovar a que chamamos de "PEC da bandidagem" e o povo foi para a rua e disse: "Isso é inadmissível, vocês esconderem e se livrarem da própria corrupção". Temos visto quanta corrupção ocorre neste país, como no recente escândalo do Banco Master envolvendo políticos, ministros e senadores. Uma das nossas defesas é o confisco dos bens de todos os corruptos. Trata-se de devolver tudo o que roubaram do nosso povo, pois o corrupto é preso, mas continua rico, sua família continua rica e ele continua influenciando as decisões fora da prisão. Defendemos acabar com isso. Quando nosso povo compreende que isso está errado, nós o chamamos à ação. A Unidade Popular tem feito exatamente isso: montado núcleos de formação e de luta. Esse é um dos nossos objetivos nas eleições, além de eleger nossos primeiros representantes, já que somos um partido recente. Elevar o nível de consciência do povo para que perceba que podemos ser o poder e que essa pouca representação que temos na democracia atual não é suficiente para nós.

No orçamento, vai ser preciso — é o que se ouve dos economistas — cortes no próximo ano. Qual seria a proposta de cortes da UP?

Somos terminantemente contrários aos cortes. Não achamos que tem que cortar da saúde ou que tem que cortar da educação. É um absurdo, inclusive, que o Brasil, como a gente disse no início, que é um país tão rico, tenha do orçamento apenas 4% destinado para a educação e 3% destinado à saúde, sendo que era para a gente, hoje, ter uma saúde excelente. Defendo o SUS, trabalho no SUS e uso o SUS. Uma das nossas propostas é que todos os políticos sejam obrigados a usar o SUS e ter seus filhos nas escolas públicas, porque aí é muito fácil você legislar sobre um serviço que não vai usar, deixando apenas 3% ou 4% destinado a esse serviço. Uma das nossas propostas é essa. Esse orçamento que já é destinado ao bolsa banqueiro tem que ser suspenso para que a gente invista mais. Desde 2014, a proposta era que a educação tivesse já 10% do PIB. Não conseguimos até agora. Era para que a saúde tivesse também um investimento muito maior. Aqui no DF, inclusive, a gente tem acompanhado a nossa governadora (candidata a governadora pela UP), que é a Samara Mineiro, fazendo esse debate sobre a saúde pública, do quanto as pessoas estão desassistidas, de não ter profissionais nos postos de saúde, tempos enormes em filas de exames, de cirurgias etc. A auditoria da dívida pública é algo já preconizado na Constituição. Inclusive, tivemos a oportunidade de auditar a dívida pública em 2016 e foi vetado. Era a Dilma (Rousseff, ex-presidente) à época. Em 2016, houve um golpe institucional. E aí, não um golpe só contra a Dilma, mas um golpe contra o povo. Porque se aprovou Reforma Trabalhista, e Reforma da Previdência, a lei da terceirização e o teto de gastos — que hoje tem um outro nome: chama-se arcabouço fiscal, que limita em 2,5% os recursos destinados às áreas sociais, que é outra coisa que precisa acabar. Não tem que ter corte nas universidades.

Vocês defendem, também, um aumento do salário mínimo. Qual é o valor que você considera ideal e como aumentar esse salário sem explodir o INSS?

Defendemos o aumento de 100% do salário mínimo. Muita gente fala: "Que loucura da Unidade Popular!" Mas, se pegarmos o início dos anos 2000, quando começou a ter um aumento real do salário, começamos a avançar no valor do salário. Se não tivesse havido esse teto de gastos em 2016, e se tivesse mantido aquele aumento real, hoje o salário seria em torno de R$ 3,2 mil. Nós, na América Latina, temos um dos menores salários mínimos, mesmo tendo um PIB muito maior do que esses outros países da América Latina. A gente está entre o 10º menor salário da América Latina. Então, é inadmissível que a gente tenha um país tão rico e o nosso povo viva tão empobrecido. Absurdo é a gente viver com R$ 1.621. O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) diz que o salário deveria ser maior do que R$ 7 mil, porque o salário mínimo deveria ser suficiente para manter uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, transporte etc. R$ 1.621 às vezes não dá nem para pagar o aluguel em várias cidades. Aí, um da casa trabalha para pagar o aluguel e o outro trabalha para pagar o restante das despesas. É possível que a gente aumente suspendendo o arcabouço. É possível se a gente parar de pagar a dívida pública, porque, sobre a Previdência, dizem: "Ah!, mas é a Previdência que quebra o país". Não é a Previdência que quebra o país, se a gente destina R$ 1,8 trilhão para o bolsa banqueiro. Então, não é a Previdência, não é o cuidado com os nossos idosos que já trabalharam ou com as PCDs pelo BPC. Não é isso que quebra o país. A questão é que há, inclusive, a utilização dos recursos públicos para o enriquecimento de uma parcela da população.

Queria que explicasse como o seu partido e a sua candidatura defendem um país socialista. Como funcionaria a economia de um país socialista no seu governo?

Defendemos o socialismo, inclusive o nosso partido é a Unidade Popular pelo Socialismo, entendendo que no capitalismo — e aí, como já vem no nome, o capital — é a questão principal desse sistema. O lucro, o dinheiro e o capital são o que move a sociedade. No socialismo, como a própria palavra diz, o foco é o social: as questões sociais, as pessoas e a socialização dos meios de produção. Nossa proposta é exatamente essa: uma planificação da economia pelo governo, de forma estatal e nacionalizada, para o benefício do povo. A produção deve servir ao povo e não, por exemplo, como acontece no nosso país hoje — ainda somos uma espécie de colônia. Somos produtores de matéria-prima, meros exportadores de matéria-prima, e importamos produtos industrializados. Nosso país precisa de uma reindustrialização, porque fomos à reprimarização da economia. Precisamos avançar nisso e ter o controle estatal disso. Então, a planificação da economia é esse controle estatal para que todos esses recursos e riquezas sirvam de benefício e desenvolvimento para o nosso povo, e não para o lucro, como funciona atualmente no país.

Em relação a um problema que é muito sério, aqui no Brasil e mundialmente, mas que está afetando muito nosso país, que é a questão dos feminicídios. Vocês têm alguma ideia, algum programa ou projeto para reduzir esse crime, que é tão grave?

Uma das questões que temos levantado é o debate contra a violência contra as mulheres e pelos seus direitos. Não é apenas um debate moral, de "amor contra o ódio", mas, sim, um debate econômico. É necessário garantir moradia para que as mulheres consigam sair da casa de seus agressores. É necessária renda — e por isso temos discutido o aumento salarial para que as mulheres não dependam financeiramente deles. É necessária, inclusive, a geração de empregos pelo próprio governo, que às vezes transfere essa responsabilidade para o setor privado, sendo que nós, enquanto Estado, poderíamos gerar essas vagas. Por isso, propomos frentes emergenciais de trabalho, pois isso garante que as mulheres tenham condições de sair de situações de violência. Atualmente, temos apoiado o Projeto de Lei contra a misoginia, que enfrenta uma grande ofensiva da extrema-direita para não ser aprovado. Eles querem manter a misoginia e o machismo como sempre fizeram, inclusive, defendendo que as mulheres sequer votem ou participem do processo eleitoral, quanto mais serem candidatas. Criminalizar a misoginia não é apenas punir quem faz piadas, mas, também, criminalizar as plataformas digitais que propagam esse ódio. Quando nós, da Unidade Popular, fazemos uma publicação sobre a Palestina ou contra o despejo de uma ocupação urbana, nossas páginas caem e temos que brigar para que voltem. No entanto, páginas que divulgam o ódio, a misoginia e a apologia ao estupro não caem — continuam acumulando seguidores e formando grupos, como os "redpills". É necessário criminalizar todos eles, incluindo as plataformas que veiculam esse conteúdo. Além disso, é fundamental haver educação sobre esse tema nas escolas — outra proposta que a extrema-direita rejeita sob o pretexto de combater uma suposta "ideologia de gênero" ou debates sobre a questão LGBT. Na verdade, essa educação é indispensável, porque a maior parte da violência contra as meninas acontece dentro de casa. Esse homeschooling que defendem como alternativa, alegando que a educação deve ocorrer apenas no lar, ignora que é justamente nas casas que ocorrem as maiores violências contra as mulheres e crianças. O poder público precisa intervir para conscientizar meninos e adolescentes de que não há diferença de gênero, e de que não existe essa história de "homem alfa" e "homem beta", como estão divulgando por aí. Somos todos seres humanos, somos iguais e devemos ser respeitados.

A UP é um partido crítico ao governo do presidente Lula. Há algum programa ou alguma ação do governo dele que vocês aproveitariam?

Há várias questões nas áreas sociais que são importantes, como os programas de transferência de renda. Inclusive, nos posicionamos contra a ofensiva conservadora contra o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. No entanto, fazemos críticas contundentes, porque as moradias populares da Faixa 1 do Minha Casa avançaram pouco neste último governo Lula, além de não ter sido realizada a Reforma Agrária. Várias coisas poderiam ter avançado muito mais.De todo modo, a transferência de renda, a princípio, enquanto as pessoas ainda não possuem emprego ou renda digna, é uma necessidade real. Essa ofensiva contra o Bolsa Família é pura demagogia de classe, porque dizem: "Ah!, é isso que quebra o Brasil". Mas o Bolsa Família representa apenas 2% do Orçamento federal. Não é isso que quebra o país. O que quebra o Brasil é o bolsa banqueiro, que é uma das políticas que todos os governos, desde a redemocratização, mantêm religiosamente, sejam de direita ou de esquerda. E essas são políticas que, inclusive, não deveriam existir em um governo que se reivindica de esquerda. Privatizações não deveriam ocorrer em um governo de esquerda; pagamento de juros da dívida e contingenciamento de verbas da educação e da saúde também não deveriam estar presentes. Portanto, o nosso desafio hoje tem sido apontar que essa não é uma política econômica de esquerda. O que temos hoje no Brasil é uma política neoliberal, que favorece o capital financeiro, combinada com algumas concessões sociais — as quais, inclusive, nem sequer foram retiradas pelo governo do fascista Bolsonaro, pois serviam para garantir a popularidade dele.

O Brasil passa por uma crise envolvendo o Poder Judiciário. Que proposta a UP tem para a reforma do Poder Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal? É preciso ter notório saber jurídico, ou seja, definir quais são as pessoas que poderiam participar dessa eleição?

Defendemos a eleição para juízes, pois hoje o preenchimento dessas vagas ocorre por indicação, e os ministros do STF são indicados pelo governo que está vigente naquele momento. Defendemos a eleição para juízes. Conversando com um juiz em outra entrevista, defendi que se façam as provas, assim como ocorre no conselho tutelar, quando você realiza as provas, mas, depois, passa por uma eleição, para que o nosso povo decida quem serão os representantes também no Judiciário. Não abolimos, por exemplo, essa questão das provas para comprovar as pontuações necessárias e atestar esse notório saber. No entanto, defendemos que o povo também eleja os seus representantes, porque hoje nossa população não está representada no Judiciário, que tem classe, tem cor e tem gênero, e nós não conseguimos opinar sobre isso. Houve toda uma discussão sobre a indicação da primeira mulher negra para o STF, sobre como seria. Ocorreu uma mobilização, inclusive, por parte das participantes da Marcha das Mulheres que aconteceu aqui em Brasília. Mas ela não chegou ao cargo porque o processo é por indicação. Portanto, é necessária a participação do povo nas decisões do Judiciário também. O processo eleitoral também é extremamente antidemocrático. A Unidade Popular não tem tempo detevê nem de rádio no horário eleitoral gratuito. Não recebemos fundo partidário — recebemos apenas o que sobra do fundo eleitoral. Portanto, não é um processo igualitário nem justo para todos. O que temos defendido é que precisa haver uma reforma política para que todos os candidatos tenham exatamente as mesmas condições, com o mesmo tempo detevê e os mesmos recursos para apresentarem suas propostas.

A Constituição reconhece as administrações tributárias como atividades essenciais ao funcionamento do Estado e, após a Reforma Tributária, passou a determinar a edição de uma lei complementar nacional que estabeleça normas gerais para as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, disciplinando sua organização, funcionamento, direitos, deveres e garantias. A chamada Lei Orgânica da Administração Tributária (LOAT) assume, portanto, importância ainda maior diante da complexidade do novo sistema tributário. Uma administração tributária profissional, eficiente, integrada e dotada das necessárias garantias de autonomia técnica é indispensável para assegurar a arrecadação, o combate à sonegação e à fraude, conferir segurança jurídica aos contribuintes e fazer com que a Reforma Tributária alcance os objetivos. Mais do que uma questão corporativa, a LOAT representa uma questão de Estado relacionada à capacidade do Brasil de administrar seu sistema tributário com eficiência, profissionalismo, independência técnica e respeito ao contribuinte. Diante disto, caso seja eleita presidente, a senhora se compromete a apoiar, a priorizar e a empenhar politicamente seu governo para que seja encaminhado, aperfeiçoado e aprovado pelo Congresso o projeto da LOAT, reconhecendo-a como instrumento essencial para o fortalecimento e a modernização da administração tributária? E, mais especificamente, a senhora assume o compromisso de incluir a aprovação da LOAT entre as prioridades institucionais do seu governo e de utilizar a liderança política da Presidência da República para construir junto ao Congresso o necessário consenso para a aprovação?

Uma pergunta complexa, mas que faz muito sentido, porque a gente tem discutido — explicar exatamente o que é — a Reforma Tributária, e é uma das coisas que pesa muito para os brasileiros. A carga tributária sobre os trabalhadores é pesadíssima, uma das maiores do mundo. Pesa mais sobre quem recebe menos e muito pouco para quem tem muito. Isso vai no sentido do que ele pergunta, da fiscalização, de garantir que essa Reforma Tributária que está se colocando agora — que é necessária, que é não tributar os itens da cesta básica, não tributar remédios, não tributar a carne, porque a gente paga um valor de imposto muito alto sobre esses itens — não continue pesando no nosso bolso, no nosso orçamento. A proposta de ter alíquota zero para esses itens e, para alguns outros itens, de reduzir em até 60%, é extremamente necessária, inclusive. E essa questão da fiscalização, que é o que ele coloca, e a importância deles e da categoria deles nisso, para fiscalizar que haja a efetivação dessa Reforma Tributária — que começou uma experiência agora, em 2026, com a proposta de que, em 2027, valha plenamente — é fundamental. Até para quê? Para que quem recebe mais, pague mais. Quem tenha mais bens, quem tenha mais recursos, pague mais. Hoje, quem paga mais são os trabalhadores comuns. Porque, por exemplo, taxação das remessas de lucro não existe. Então, as empresas que lucram no nosso país não têm nenhuma taxa sobre as remessas de lucro. Sobre herança — os herdeiros também não têm nenhum imposto sobre herança, você não paga. Agora, sobre a carne que a gente compra, sobre o leite que a gente compra...

Sobre herança, paga-se, principalmente, o ITCD (Imposto sobre Transmissão e Doação)...

Sobre as taxações das grandes fortunas, que a gente tem tentado também discutir. Inclusive, que ela seja progressiva conforme a fortuna que as pessoas têm, para que não pese para quem recebe menos, mas sim para quem já tem muito no nosso país. Então, é uma proposta extremamente importante para que haja fiscalização e que haja uma Reforma Tributária que pare de pesar impostos sobre o nosso povo. Inclusive, porque o Brasil, apesar de ter uma das maiores cargas tributárias, é um dos países que tem menos retorno para a população. Teoricamente, a gente deveria pagar imposto para que ele fosse investido nas áreas sociais, no benefício da comunidade, mas saiu uma pesquisa recente de que é um dos países onde há o menor retorno dessa carga tributária para a população.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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postado em 09/09/2026 03:55
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