
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu nesta quinta-feira (10/9) que o Supremo Tribunal Federal (STF) determine a abertura completa dos sigilos de investigações que estão no centro da crise institucional. Segundo o deputado, a medida seria necessária para evitar suspeitas de seletividade ou direcionamento nos processos.
Pimenta afirmou que o momento vivido pelo país exige uma atuação “muito efetiva” do Supremo para recuperar a confiança da sociedade na instituição. Na avaliação dele, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, deveria garantir a transparência dos inquéritos, incluindo investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ao Banco Master e, se necessário, ao chamado inquérito das fake news.
“A única forma de garantir que não haja uma narrativa distorcida, a única forma de garantir que não haja uma seletividade na maneira como as informações estão sendo tratadas é a quebra do sigilo completo”, afirmou.
Para o líder, a divulgação parcial de informações pode ampliar a crise e provocar uma deterioração institucional. Ele defendeu que as investigações sejam concluídas independentemente das pessoas envolvidas e que o andamento dos casos possa ser acompanhado pela sociedade e pela imprensa. “Quanto mais demorar, só a crise se aprofunda”, declarou.
Crítica à blindagem de políticos
Pimenta também criticou o que considera um histórico de utilização do Judiciário como mecanismo de proteção de políticos e personalidades investigadas. Ele citou decisões relacionadas às investigações envolvendo Flávio Bolsonaro, Queiroz e Adriano da Nóbrega como exemplos de um processo que, segundo ele, precisa ser encerrado.
Na avaliação do deputado, o Judiciário teria passado a funcionar como um espaço de “blindagem”. A partir disso, defendeu mudanças estruturais nas instituições, incluindo a discussão de um código de ética para impedir que parentes de ministros atuem profissionalmente em tribunais superiores ou em instituições como o Tribunal de Contas da União.
“A sociedade não suporta mais assistir a supersalários, salários milionários, à maneira como essas instituições criam um sistema de autoproteção”, afirmou.
Pimenta disse ainda que a atual crise deveria ser aproveitada para promover mudanças capazes de ampliar a segurança jurídica e institucional do país. Para ele, isso dependeria da divulgação integral das informações e da responsabilização de quem eventualmente tenha cometido irregularidades.

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