
A escalada da tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) não é um episódio recente, mas o desdobramento de um desgaste institucional de longo prazo. É o que defende o cientista político Alexandre Bandeira em entrevista ao Correio neste domingo (13/9). "É um processo que já vem em construção desde que o Supremo Tribunal Federal começou a se arborar em outros campos que não somente a questão do Judiciário", comenta.
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Para o analista, o cenário se agravou com a exposição pública de divergências internas e a retirada do sigilo de investigações sobre a conduta de magistrados, episódio que culminou na constatação de “um envolvimento não muito republicano de um ministro com um investigado da República”. A crise transbordou os limites da Corte e passou a impactar a política nacional.
A troca de acusações entre os integrantes do tribunal fez com que o conflito saísse “da esfera do Judiciário, entrando na esfera da política, entrando e contaminando o processo eleitoral e chegando na casa de todos os brasileiros”. Diante da gravidade da situação, a divisão interna entre os magistrados que se expõem publicamente e a ala que prefere a atuação reservada torna-se ainda mais evidente no ambiente institucional.
A expectativa para o desfecho desse impasse recai sobre a postura dos magistrados de perfil mais "discreto". De acordo com Alexandre Bandeira, “existe um movimento silencioso de ministros que estão inclusive evitando entrar nesse processo, de entrar no ringue, para que possam, de uma maneira mais distanciada, oferecer um parecer”. A avaliação é de que a reordenação da imagem do tribunal dependa diretamente da capacidade dessa ala em resgatar a ritualística e a imparcialidade inerentes ao Poder Judiciário.
O julgamento marcado para esta terça-feira é apontado como o ponto de virada para o futuro da Corte Suprema. “O Supremo agora só tem dois caminhos, é a encruzilhada do Supremo Tribunal Federal: ou ele entra no caminho da reinstitucionalização da mais alta Corte brasileira, ou nós vamos para o caminho da fulanização dos problemas”, alerta Bandeira.
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