Eleições 2026

Base de Lula critica ida de Eduardo Bolsonaro aos EUA contra ministros do STF

Petistas dizem que atuação por sanções contra Moraes, Dino e Gilmar ameaça a soberania nacional; oposição bolsonarista defende pressão internacional sobre a Suprema Corte do Brasil

Eduardo se reuniu na quarta-feira (16/9) com integrantes do governo Trump, no Departamento de Estado norte-americano -  (crédito: Reprodução/X)
Eduardo se reuniu na quarta-feira (16/9) com integrantes do governo Trump, no Departamento de Estado norte-americano - (crédito: Reprodução/X)

A atuação de Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo em Washington para pedir novas sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) provocou reação de integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso. Parlamentares governistas acusam o ex-deputado de tentar levar uma disputa institucional brasileira para o exterior e defendem que eventuais irregularidades sejam apuradas pelas instituições do país. Já a oposição bolsonarista defende pressão internacional sobre a Suprema Corte.

Eduardo e Figueiredo se reuniram na quarta-feira (16/9) com integrantes do governo do presidente Donald Trump, no Departamento de Estado norte-americano. Segundo relatos sobre o encontro, eles defenderam medidas contra os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. A principal reivindicação apresentada por Figueiredo seria a retomada das sanções contra Moraes, que havia sido incluído na lista de sancionados dos Estados Unidos pela Lei  Magnitsky em julho de 2025 e retirado da relação em dezembro do mesmo ano. 

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A ofensiva ocorreu um dia depois de uma sessão do STF marcada por discussões entre ministros sobre o Banco Master. O plenário analisou uma questão de ordem que propunha reunir dois procedimentos: um deles, baseado em relatório da Polícia Federal com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, mencionava Alexandre de Moraes; o outro tratava de supostas irregularidades na condução do caso pelo ministro André Mendonça.

Pressão externa

A líder do PT na Câmara, deputada Maria do Rosário (RS), afirmou ao Correio que a iniciativa representa uma tentativa da família Bolsonaro de recorrer a outros países para tratar de questões brasileiras.

“Mais uma vez a família Bolsonaro tenta prejudicar o Brasil. Eles não reconhecem as instituições. Existem problemas dentro do STF, está todo mundo vendo, mas a solução desses problemas se encontra dentro do Brasil”, afirmou.

Segundo Maria do Rosário, o governo pretende reagir politicamente nas ruas e nas redes sociais. “Nosso trabalho está acontecendo em cada cidade, em diálogo direto com a população e também através das redes sociais”, disse.

Líder do governo na Câmara, o deputado Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) também criticou a movimentação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Para ele, a iniciativa representa uma interferência externa em questões brasileiras.

“Mais uma vez ele atua contra a soberania nacional, contra as instituições democráticas do Brasil, busca maneiras indiretas de interferir no processo eleitoral e age de forma que flerta com uma prática de crime mesmo contra nossa pátria”, afirmou Vieira.

O parlamentar também afirmou que a resposta do governo deve ser apresentar ao eleitor a posição de Lula sobre as investigações relacionadas ao Banco Master.

“Cada vez mais afirmar que Lula respeita a democracia, defende a nossa soberania. Lula apoia toda a investigação sobre o caso do Banco Master sem qualquer blindagem ou seletividade.”

Ele destacou, ainda, que o governo pretende combater o que considera desinformação nas redes sociais. “O que nos cabe é enfrentar uma máquina de fake news que a extrema direita opera para simplesmente dizer a verdade ao povo brasileiro”, disse.

Solução dentro do Brasil

O deputado Zé Neto (PT-BA) também classificou a movimentação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como uma tentativa de buscar interferência estrangeira em assuntos nacionais.

“Eles estão atrás de um Brasil submisso e nós estamos aqui lutando por um Brasil soberano. Um Brasil submisso que eles querem, esse Brasil que tem que ser resolvido lá com as intervenções externas. O nosso é que, de toda forma, tem que se resolver aqui dentro”, comentou.

Para o parlamentar, o episódio deve servir para uma discussão mais ampla sobre o funcionamento das instituições brasileiras. Ele defendeu que, depois das eleições, o Congresso discuta mudanças políticas e eleitorais.

“Eu acho que a gente tem que estar focado agora em ganhar as eleições e fazer um grande pacto para que haja uma reforma política e uma reforma eleitoral”, disse Zé Neto.

 

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postado em 17/09/2026 11:40 / atualizado em 17/09/2026 11:47
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