
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18/9), em entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, que vê com “muita tristeza” a crise envolvendo o Judiciário e as suspeitas relacionadas ao Banco Master. Segundo ele, o episódio “contamina tudo” e deve provocar uma nova discussão sobre uma reforma no Poder Judiciário.
“Eu vejo com uma certa tristeza, eu vejo com muita tristeza porque a sociedade não tem por que aceitar isso como normal”, disse Lula. Na avaliação do presidente, as suspeitas envolvendo o banco alcançam diferentes setores e também integrantes da Suprema Corte.
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Lula atribuiu a origem do Banco Master ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e responsabilizou a gestão anterior pelo que classificou como um esquema de corrupção. “O culpado disso chama-se Bolsonaro. Esse banco não existia, esse banco foi criado pelo Banco Central no governo Bolsonaro. Essa corrupção aconteceu no governo Bolsonaro”, afirmou.
O presidente disse que o governo federal está conduzindo as investigações sem antecipar conclusões. Segundo Lula, o empresário Daniel Vorcaro chegou a procurá-lo pessoalmente para reclamar da situação do banco. “Nós estamos investigando com muita paciência porque se a gente fizer pirotecnia antes da contraprova, você faz a denúncia e não apura nada”, declarou.
De acordo com Lula, Vorcaro teria conversado com ele durante cerca de 20 minutos e alegado estar sendo prejudicado e perseguido. “Eu falei, olha, aqui ninguém é perseguido. Nós vamos investigar. Se você tiver com o banco correto, seu banco não vai fechar, mas se não, você vai fechar”, relatou.
Reforma do Judiciário
Lula afirmou que o caso o preocupa e disse que pretende retomar a discussão sobre uma reforma no Poder Judiciário, mas condicionou o debate à solução da crise atual. “Preocupa o senhor? Obviamente que me preocupa, me preocupa porque nós vamos ter que discutir como é que a gente vai consertar isso, como é que a gente vai consertar a Suprema Corte. Eu agora quero rediscutir, então a reforma no Poder Judiciário, mas antes de fazer essa reforma nós temos que resolver esse problema”, afirmou.
Ao falar sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente defendeu que os integrantes da Corte tenham compromisso com ética e responsabilidade em razão do poder de suas decisões.
“O que nós estamos defendendo é que quem que vem para o Supremo não pode querer ser rico. Ali é um sacerdócio. As pessoas precisam, efetivamente, saber que ali é a instância mais sublime do nosso país, a mais forte. Quando ela decide, ninguém pode fazer mais nada. Então ela tem que ser muito séria, tem que ter muita ética”, disse.
O presidente também afirmou que as suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário acabam atingindo a imagem da instituição. “Então isso tudo, isso tudo está apodrecendo”, declarou.
Moraes e Bolsonaro
Na entrevista, Lula citou o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que as críticas do senador Flávio Bolsonaro ao magistrado não estariam relacionadas ao Banco Master, mas à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A briga que o Flávio Bolsonaro tem do Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é por causa da prisão do pai dele. Ele nunca aceitou a prisão do pai dele, ele nunca aceitou o resultado eleitoral”, afirmou.
Lula, por outro lado, defendeu a atuação de Moraes durante o processo eleitoral e na defesa da democracia. “É importante lembrar que o Alexandre Moraes teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia”, disse.
O presidente também mencionou as prisões de quatro generais de quatro estrelas e de um ex-presidente, relacionando os episódios às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. “Pela primeira vez a gente teve quatro generais presos, de quatro estrelas. Isso é extremamente histórico no Brasil”, afirmou.
Segundo Lula, Bolsonaro teria articulado sua morte, a do vice-presidente Geraldo Alckmin e a de Moraes. “Um presidente que articulava a minha morte, articulava a morte do Alckmin e a morte do próprio Alexandre de Moraes”, declarou.
Mariana Morais
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Mariana Morais