
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes alertou neste sábado (19/9) para os riscos do uso de ferramentas de inteligência artificial nas eleições e afirmou que a tecnologia pode ser utilizada para produzir vídeos, áudios e peças de propaganda capazes de enganar eleitores e interferir na formação da vontade popular.
Segundo o ministro, o avanço tecnológico criou novos desafios para a Justiça Eleitoral, que, em sua avaliação, precisa manter uma atuação "altiva, imparcial e apartidária" diante das disputas eleitorais.
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"Os desafios, no entanto, continuam. O desenvolvimento tecnológico tem apresentado uma série de novas dificuldades à regularidade da formação da vontade popular. As ferramentas de inteligência artificial hoje existentes, ao mesmo tempo em que ajudam nas atividades do dia a dia, permitem a criação de vídeos, áudios e peças de propaganda capazes de enganar o eleitor e desequilibrar as disputas eleitorais."
Gilmar Mendes citou como exemplo uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre um experimento em que pesquisadores produziram 15 peças de propaganda eleitoral falsas com inteligência artificial e tentaram vinculá-las com anúncios pagos por contas nos Estados Unidos. De acordo com o ministro, 13 dos conteúdos conseguiram passar pelos filtros da Meta.
A Justiça Eleitoral sempre gozou de enorme prestígio entre os brasileiros. E não é para menos! Do Oiapoque/AP ao Chuí/RS, de Mâncio Lima/AC a João Pessoa/PB, ela se faz presente. A cada dois anos, todos os municípios do país recebem urnas eletrônicas, confiáveis e auditáveis, que…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 19, 2026
Entre os materiais mencionados por Gilmar está uma imagem falsa do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterando a data do primeiro turno das eleições e outra peça que convocava os eleitores a "retomar Brasília, como fizemos em 8 de janeiro".
O ministro também mencionou um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), divulgado pela *Folha*, que apontaria risco crítico de interferência externa nas eleições com o objetivo, segundo o documento citado por Gilmar, de assegurar controle sobre ativos estratégicos e riquezas naturais brasileiras.
Crítica à politização
Além das ameaças relacionadas à tecnologia e à interferência externa, Gilmar Mendes apontou o que classificou como um risco "mais grave": a politização da própria Justiça Eleitoral. "Mais grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral."
Na sequência, o ministro afirmou que integrantes do tribunal que tentem envolvê-lo em "proselitismo partidário" devem avaliar se possuem condições de permanecer na instituição. Gilmar também defendeu que partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral fiscalizem eventuais situações que possam configurar suspeição.
"Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer. E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure."
Defesa da atuação do TSE
Na publicação, Gilmar Mendes também fez uma defesa da Justiça Eleitoral e destacou a presença da estrutura eleitoral em todo o país. Segundo ele, o TSE mantém prestígio entre os brasileiros e as urnas eletrônicas são "confiáveis e auditáveis".
Para o ministro, a atuação da Justiça Eleitoral contribuiu para encerrar práticas de fraude que, segundo ele, existiam no sistema anterior. Gilmar também afirmou que o TSE deve preservar uma postura apartidária e atuar de acordo com a Constituição para garantir a legitimidade das eleições.
Diante dos novos desafios, o ministro defendeu que a Corte Eleitoral continue a combater práticas que possam distorcer a vontade dos eleitores. "É preciso, pois, que o TSE continue a coibir práticas abusivas e deturpadoras da vontade popular. Para tanto, é indispensável uma atuação altiva, imparcial e apartidária, cujo único compromisso seja com a Constituição e com as leis."
Ao tratar do papel do STF, Gilmar afirmou que a Corte continuará exercendo a função de supervisão sobre a Justiça Eleitoral e poderá intervir quando considerar necessário para preservar seus precedentes e a Constituição. "O STF, por sua vez, continuará a atuar como instância de supervisão, com a firmeza que o momento exige, intervindo sempre que necessário à preservação de seus próprios precedentes e da Constituição."
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