Tarifaço

Em Nova York, Lula critica Trump um dia antes de possível encontro na ONU

Petista classificou como "injustas" tarifas dos EUA a uma lista de exportações brasileiras e defendeu negociações com o republicano

Lula e Trump podem se esbarrar nos corredores da Assembleia da ONU amanhã (22/9) -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Lula e Trump podem se esbarrar nos corredores da Assembleia da ONU amanhã (22/9) - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu, nesta segunda-feira (21/9), as críticas direcionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as justificativas adotadas pela Casa Branca para adotar sobretaxa de até 37,5% contra uma lista exportações brasileiras destinadas ao país norte-americano.

"Acho que essas tarifas foram baseadas em mentiras. O Brasil tem um deficit comercial de muitos bilhões de dólares com os EUA. (...) É uma forma de governar (de Trump) com a qual não concordo: 'sou mais forte, sou o mais rico, posso tudo e todos os outros têm que obedecer'. É a lei do mais forte", criticou Lula, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN dos EUA.

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Realizada em Nova York, nos Estados Unidos, a conversa com a jornalista norte-americana ocorreu um dia antes de um possível encontro entre Lula e o republicano Donald Trump, nos corredores da Assembleia da Organização das Nações Unidas, evento previsto para amanhã (22/9).

Reciprocidade, soberania e eleições

Na conversa com a jornalista norte-americana, Lula tratou de reciprocidade nas negociações com os EUA, além da diversificação econômica com outros países e de eleições brasileiras, marcadas para 4 de outubro.

Quanto à reciprocidade, frisou que o Brasil focou na busca de novos parceiros econômicos para suprir o comércio com os Estados Unidos em meio à vigência do tarifaço.

"Não vou apenas tentar chorar pelo leite que foi derramado no chão. Vou procurar outros parceiros para tentar comprar e vender. É assim que eu faço na política também. E nós podemos aplicar a lei de reciprocidade com os EUA", pontuou, ao condicionar uma possível aplicação da lei de reciprocidade e uma negativa de Trump nas negociações.

Ao comentar das eleições brasileiras, previstas para 4 de outubro, Lula definiu o pleito como uma escolha entre "democracia ou barbárie" e rechaçou possibilidades de os Estados Unidos interferirem no processo.

"Eu disse ao presidente Trump que é muito importante que os EUA não se metam nas eleições brasileiras, isso é extremamente importante (...) As eleições brasileiras são do interesse do povo brasileiro e as eleições dos EUA são do interesse do povo americano. Eu não quero que os EUA tenham qualquer tipo de interferência", enfatizou.
Uma possível interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial do Brasil é cogitada por integrantes do Planalto. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto de 2026 a autoridades federais e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elevou para um “nível de criticidade” o risco de influência e interferência dos EUA nas eleições brasileiras.

 

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postado em 21/09/2026 16:24 / atualizado em 21/09/2026 18:27
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