
O presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a criticar, nesta quinta-feira (24/9), uma possível interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições brasileiras, marcadas para 4 de outubro.
“Esse país que eu tenho dito para o (Donald) Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém”, discursou Lula, em caminhada de campanha realizada na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
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A declaração sobre possível ingerência do líder da Casa Branca ocorre em meio a um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que aponta ações dos EUA no pleito, além da decisão da campanha do petista de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra essa possibilidade.
Embora o Planalto avalie que o governo Trump atue contra uma eventual reeleição de Lula, auxiliares do petista consideram que a ausência do Brasil no Escudo das Américas não deve ter impacto imediato no pleito. A expectativa é que Washington aguarde o resultado do primeiro turno para avaliar o cenário e definir eventuais estratégias para o segundo turno.
Embora tenha lembrado o recado dado a Trump sobre as eleições brasileiras, Lula não falou sobre o assunto com o presidente dos Estados Unidos durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na última terça-feira (22), nos EUA.
O desencontro, segundo interlocutores do Planalto, não foi programado entre os líderes do Brasil e dos Estados Unidos. Assim que discursou, na ONU, Lula deixou a sede da ONU para retornar a Brasília.
Escudo das Américas
Além do desencontro físico, na Assembleia Geral da ONU, Lula e Trump estiveram em lados opostos no âmbito de estratégias para o combate ao crime organizado nos países da América Latina.
Com a ausência do Brasil, Trump reuniu o Escudo das Américas, grupo comandado pelo líder da Casa Branca para combater facções criminosas. Além dos EUA, a coalização reúne 13 países do continente.
Para o governo brasileiro, o grupo pode servir de porta de entrada para interferência norte-americana em setores ligados à economia, à infraestrutura e à gestão de riquezas nacionais dos países latinos — como minerais críticos e terras raras.
Segundo pessoas próximas a Lula, o Planalto avalia que o combate ao crime organizado pode servir de porta de entrada para a atuação dos Estados Unidos em outras áreas. A avaliação se baseia na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada pelo governo Trump no ano passado, que, segundo o governo brasileiro, indica possibilidade de avanço sobre a soberania de países latino-americanos.
Nele, são estabelecidas como funções dos EUA a predominância norte-americana no Hemisfério Ocidental, além da garantia de acesso a minerais críticos e terras raras nas Américas, para proteger a base industrial do país e conter a influência da China em contratos com nações latino-americanas.
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