
O secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente, participou nesta segunda-feira (28/9) do programa CB. Poder, parceria entre o Correio e a TV Brasília. Em entrevista aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Sibele Negromonte, ele detalhou o cronograma de preparação das urnas eletrônicas para o primeiro turno das Eleições 2026.
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O convidado detalhou as medidas adotadas pela Corte para reforçar a segurança da urna eletrônica e ampliar a confiança dos eleitores. Segundo ele, o processo de atualização dos mecanismos de segurança das urnas eletrônicas brasileiras é contínuo.
“Sempre fazemos testes públicos de segurança nos quais convidamos qualquer brasileiro ou brasileira acima de 18 anos para submeter as urnas eletrônicas a planos de ataque e de teste. Isso já faz parte do nosso ciclo de desenvolvimento, está no sangue. A cada ano não eleitoral, realizamos o Teste Público de Segurança”, revelou.
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Valente aponta que, nos 30 anos de existência da urna eletrônica, o projeto passou por diversas evoluções. Embora o cidadão não consiga perceber as mudanças externamente, já que a estrutura e o formato da urna permanecem semelhantes, a tecnologia interna foi bastante modificada. De acordo com o secretário, o equipamento conta hoje com processos de segurança mais avançados.
“Hoje, a urna eletrônica assina digitalmente todos os arquivos que gera. Conhecemos cada urna eletrônica, pois cada uma possui um certificado digital, que funciona como uma certidão de nascimento ou identidade. Então, sabemos exatamente de onde vêm os resultados de cada seção eleitoral do país. Quando recebemos os dados de uma seção eleitoral, a primeira coisa que verificamos é se eles foram assinados pelo certificado digital daquela urna específica”, explicou.
Outro destaque das urnas mencionado pelo secretário foi a acessibilidade. De acordo com ele, até 1994, quando os eleitores brasileiros votavam em cédulas de papel, havia dificuldades para uma parcela da população exercer o direito ao voto. Pessoas cegas, analfabetas ou que não eram alfabetizadas em língua portuguesa enfrentavam diferentes barreiras.
“Para as pessoas cegas, existem diversos recursos. Há o recurso de áudio, no qual a pessoa escuta o que está digitando na urna — cada número e o candidato selecionado. O teclado possui relevo em Braille e há sutilezas táteis: cada tecla foi projetada para emitir um pequeno clique sonoro e tátil, perceptível na ponta do dedo. Para as pessoas alfabetizadas apenas em Língua Brasileira de Sinais (Libras), desde 2020, inserimos uma intérprete virtual no canto da tela da urna, que traduz em Libras tudo o que é falado ou exibido em texto”, afirmou.
Veja a entrevista completa:
O entrevistado ressalta que as eleições brasileiras são um desafio tecnológico e logístico. É necessário levar as urnas eletrônicas aos lugares mais distantes e de difícil acesso do país e, como elas não estão conectadas a uma rede, coletar os resultados gerados por cada equipamento.
“Mesmo com esse desafio logístico, esperamos entregar os resultados para a população na mesma noite da eleição. O horário exato dependerá de quão acirrada estiver a disputa para cada cargo”, esclareceu.
Segundo o servidor público, as urnas destinadas aos locais mais remotos do país, como comunidades ribeirinhas, já estão em fase final de preparação e a caminho. Valente diz que os equipamentos destinados a esses pontos já foram preparados e estão em deslocamento, pois alguns trajetos levam dias no Brasil.
“As urnas que estão sendo preparadas neste momento — recebendo a inserção dos códigos-fonte e dos dados de candidatos e eleitores — são as que ficarão nas metrópoles e capitais”, esclareceu.
O convidado destacou que as urnas destinadas aos quase 1 milhão de eleitores que votam no exterior já foram enviadas e foram as primeiras a ser preparadas. Segundo ele, os equipamentos foram preparados entre 15 e 17 de setembro, devido ao tempo necessário para o transporte.
“Temos cidadãos votando nas mais diversas partes do mundo. O primeiro boletim de urna que recebemos vem da Nova Zelândia, às 3h da manhã do dia da eleição, no horário de Brasília. Enquanto a votação nem começou no Brasil, lá ela já se encerrou”, destacou.
*Estagiário sob supervisão de Rafaela Gonçalves
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