
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recusou pedidos de 15 entidades estrangeiras interessadas em acompanhar as eleições brasileiras como observadoras internacionais. Entre elas estão o Foro Madrid, organização ligada ao partido espanhol Vox, e a Alternativa Democrática Nacional (ADN), legenda portuguesa que defende pautas como restrições à imigração e ao aborto.
As negativas seguem os critérios previstos na Resolução nº 23.678/2021. A norma estabelece que a participação de missões internacionais depende de acordo prévio com o TSE e da comprovação de experiência, estrutura e capacidade técnica para acompanhar o processo eleitoral.
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A avaliação considera, entre outros pontos, o histórico de observações realizadas pela entidade, a relação de suas atividades institucionais com a defesa da democracia ou o estudo de sistemas eleitorais, a existência de equipe adequada e a experiência de dirigentes e integrantes.
Foro Madrid e ligação com o Vox
Uma das solicitações rejeitadas partiu do Foro Madrid, iniciativa vinculada à Fundação Dissenso, ligada ao Vox. O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que comandou o Itamaraty nos primeiros 15 meses do governo Jair Bolsonaro (PL), foi contratado em 2024 como assessor internacional da organização.
O manifesto de criação do grupo, lançado em 2020, foi assinado por integrantes da direita de diferentes países. Entre eles estavam o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a venezuelana María Corina Machado, o atual presidente do Chile, José Antonio Kast, e Santiago Abascal, líder do Vox.
No documento, o grupo apresentava como preocupação central o que classificava como "avanço do comunismo". O texto também descrevia esse movimento como "séria ameaça para a prosperidade e o desenvolvimento de nossas nações".
Outra entidade barrada foi a ADN, partido criado em Portugal em 2014. Entre as propostas defendidas pela legenda estão a "deportação imediata" de imigrantes em situação irregular, o combate à "fraude climática", a "proibição absoluta da propaganda LGBT+ no sistema nacional de ensino" e a proibição de abortos "sem ser por motivos clínicos ou de saúde".
Eurolat também teve pedido negado
O TSE também rejeitou a participação da Eurolat Global Democracy Forum. Ao analisar a composição da entidade, o tribunal identificou entre seus integrantes Ahmed Abeeb, apontado como chefe de missões eleitorais e ex-vice-presidente das Maldivas condenado a 20 anos de prisão por corrupção no país.
Outro nome ligado à organização é o brasileiro Maurício Galante, vereador pelo Partido Republicano em Arlington, no Texas.
No ano passado, após a imposição de tarifas por Donald Trump a produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Galante defendeu sanções voltadas a empresas brasileiras que mantêm atividades nos Estados Unidos.
Sem mencionar companhias específicas, ele acusou parte dessas empresas de utilizar sua atuação econômica nos Estados Unidos para apoiar interesses políticos no Brasil.
“Lucram no mercado americano, mas sustentam o regime socialista no Brasil, através de doações, influência política e vantagens comerciais desleais”
Em outra manifestação nas redes sociais, Galante dirigiu um pedido a Trump para que adotasse medidas contra essas companhias.
“Mire nas empresas que alimentam a tirania e ainda lucram nos EUA. Restrinja suas operações e bloqueie seus acessos. Essa pode ser a chave para resolver uma crise internacional com menos sofrimento."
An Open Message to @realDonaldTrump
— Mauricio Galante (@MGalante_us) July 19, 2025
Mr. President,
As the only Brazilian-American elected official in the State of Texas, I humbly ask you to consider a new approach to the current and escalating crisis between Brazil and the United States.
Brazilian corporations—known in… pic.twitter.com/DR5B7oPgwK
Pedidos rejeitados
Além de Foro Madrid, ADN e Eurolat, outras 12 organizações não receberam autorização do TSE para atuar como observadoras internacionais. A relação completa é formada por:
- Alternativa Democrática Nacional
- Brazilian Studies Association
- Centro para Observação e Fortalecimento Eleitoral da América Latina e Caribe
- Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina e do Caribe
- Defensoría del Pueblo de la Ciudad de Buenos Aires
- Eurolat Global Democracy Forum
- Foro Madrid
- Global Network of Political Leaders
- International Association of Political and Electoral Experts
- Observatorio Electoral de la Universidad Nacional de la Plata
- Parlamento Internacional de Direitos Humanos
- SNAS África
- Transparencia Electoral
- World Peace Volunteers
- Worldwide Elections
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